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Criação de empresas abranda em 2016

As atividades relacionadas com o sector imobiliário foram as que mais cresceram

Rute Barbedo

Não que a quebra seja acentuada, mas menos 730 empresas e outras organizações foram criadas em 2016 comparativamente ao ano anterior, o período em que a Informa D&B registou o maior número de nascimentos desde que começou a analisar o panorama do empreendedorismo nacional, em 2007. Ao todo, surgiram 37.248 novos negócios no ano passado (97% dos quais com a designação de empresas), com um aumento de 30,7% de registos no sector imobiliário, liderando assim o crescimento no estudo “Empreendedorismo em Portugal — Retrato do Tecido Empresarial".

Foi a agitação no plano imobiliário, intimamente ligada ao turismo, que mais contribuiu para que a região Norte tenha sido ultrapassada pela Área Metropolitana de Lisboa no surgimento de startups (empresas no primeiro ano de vida, como são consideradas em termos estatísticos). Menos empreendedores mostraram-se os profissionais das áreas da agricultura, pecuária, pesca e caça, que foram quem mais contribuiu (a par dos negócios de retalho) para a descida do número de organizações criadas no ano passado. Entre 2015 e 2016, surgiram menos 23,3% empresas neste sector. Curiosamente, foi nas áreas em que o crescimento se mostrou maior e menor — as atividades imobiliárias e a agricultura, pecuária, pesca e caça, respetivamente — que o rácio de nascimentos por encerramentos se verificou mais elevado.

O mesmo estudo demonstra que as startups foram responsáveis por quase um quinto (18%) do emprego criado entre 2007 e 2014, mas se a este saldo forem acrescentadas as empresas jovens (até cinco anos de atividade) o valor sobe para 46%, sendo a tendência crescente até à idade adulta. No entanto, “só 42% das empresas que são criadas atingem a idade adulta”, refere Teresa Cardoso Menezes, diretora-geral da Informa D&B, que não considera, ainda assim, que a taxa de insucesso seja o mais relevante. “O que devemos pensar é que algumas destas empresas, se tiverem condições, serão provavelmente as PME ou as grandes empresas maduras do futuro”, acrescenta.

Maior potência no arranque

Tanto em número de trabalhadores como em volume de negócios, é nos primeiros oito anos de atividade que as empresas crescem mais. O volume de negócios aumenta, em média, 139% enquanto são consideradas startups, triplica após dois anos de funcionamento e chega a ser cinco vezes maior no oitavo ano.

Quanto à vertente dos recursos humanos, o crescimento registado no primeiro ano atinge uma média de 35%, chegando ao dobro do valor após oito anos no mercado.

Mais vontade 
do que ambiente

Analisando a última década, 2009 foi o ano em mais faltou espírito — ou condições — empreendedor aos portugueses. O mínimo de 31.384 novas organizações contrasta com o pico atingido no binómio 2016-2017, em que a média anual foi de 37 mil constituições.

Apesar de a tendência de criação do próprio negócio se ter acentuado, em 2015, o “Estudo Global de Empreendedorismo” da Amway revelou que 16% dos inquiridos viam a sociedade portuguesa como favorável ao empreendedorismo, identificando como principal obstáculo o medo de falhar. A percentagem posicionou Portugal no penúltimo lugar entre 44 países, no que toca à perceção do ambiente empreendedor. Já a vontade de começar um negócio registada foi de 39%.