Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

“As empresas portuguesas são vistas em África como menos ameaçadoras”

Miguel Azevedo, Responsável da banca de investimento do Citi em Portugal e África

Alberto Frias

Portugal devia aproveitar as oportunidades de investimento que há em África, continente onde continua a haver muito por fazer. Miguel Azevedo, que no banco americano Citigroup acompanha 14 países africanos, diz que o mundo tem de empenhar-se no apoio ao desenvolvimento africano — porque isso é do seu interesse, nomeadamente a Europa, devido à recente crise migratória

África vai crescer 3,4% este ano segundo o Banco Africano para o Desenvolvimento. É um sinal de que a recuperação está em curso?

Esses números não são atrativos — em África tudo o que seja abaixo de 5% é relativamente baixo. Revelam ainda um baixo crescimento essencialmente na África Ocidental, mais ligada ao petróleo. A quebra no valor das matérias-primas levou a que muitos países enfrentassem o facto de não gerarem divisas suficientes para manterem o nível de importações. Isso levou a uma restrição grande no consumo. Um continente que tem 1,1 mil milhões de pessoas tem de produzir muito mais. Esta crise está a obrigar a que haja investimento no que é mais essencial, no sector primário, nos agronegócios. Há oportunidades brutais. O continente tem de se tornar mais autónomo, pelo menos do ponto de vista de necessidades básicas para não viver permanentemente à conta de importações.

Ainda falta fazer muito em África. As infraestruturas continuam a ser uma boa oportunidade?

Curiosamente algumas das necessidades prementes em África são muito parecidas com as de países mais desenvolvidos. Nos EUA a grande oportunidade está nas infraestruturas, mas na sua remodelação, nomeadamente nos aeroportos, que são uma vergonha. Em África a infraestrutura é também a maior oportunidade de todas, mas lá é necessário fazer de raiz, pois não há nada. Foi criada uma nova classe de ativos, que é a classe “infraestrutura”, os infrafunds. Para que os investimentos avultados que são necessários se concretizem tem de haver participação local pois o investidor estrangeiro não investe se os locais não investirem. É preciso um enquadramento regulatório satisfatório e estável, a noção de que o investimento tem de dar uma determinada rentabilidade e acesso a fundos.

Leia mais na edição deste fim de semana