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Wall Street soma e segue e China ignora corte de rating pela Moody’s

As bolsas de Nova Iorque estão há cinco sessões consecutivas a subir e índice de medo continua em níveis muito baixos. Praça de Xangai fecha esta quinta-feira com ganhos de1,4%

Jorge Nascimento Rodrigues

Onda verde continuou em Nova Iorque e ganhos regressaram às bolsas chinesas, apesar do corte de rating da China pela Moody's.

As bolsas norte-americanas voltaram a fechar na quarta-feira com ganhos pela quinta sessão consecutiva, um desempenho que não se verifica no conjunto da Ásia Pacífico e na Europa.

O índice global MSCI para as bolsas de Nova Iorque encerrou quarta-feira em alta, com um aumento de 0,27%. O Dow Jones 30 ganhou 0,36%, o S&P 500 avançou 0,25%, reaproximando-se do máximo histórico registado no passado dia 16, e o Nasdaq (o índice da bolsa das tecnológicas) subiu 0,4%. Em contraste, na quarta-feira, a região da Ásia Pacífico fechou com um recuo de 0,11% e a zona euro perdeu 0,54%, segundo os índices MSCI respetivos.

Índice de medo em Wall Street continua perto de mínimos

O índice de volatilidade – conhecido como ‘índice do medo’ – associado ao índice S&P 500 de Wall Street fechou na quarta-feira em 10,02, em níveis historicamente muito baixos. O mínimo de mais de uma década registou-se a 9 de maio com aquele índice a cair para 9,56.

Os investidores continuam a leste das polémicas sobre o “documento preliminar” de orçamento para o ano fiscal de 2018 - que se inicia em outubro próximo - apresentado esta semana pela Administração Trump, que já foi acusado de irrealista em matéria de projeções de crescimento para o mandato do presidente (3% em média ao ano) e de enfermar de dupla contagem num montante astronómico de 2 biliões de dólares.

Por outro lado, o 'sentimento' dos investidores é que a Reserva Federal, o banco central norte-americano, procederá a um novo aumento das taxas de juro na próxima reunião de 13 e 14 de junho, apesar da “prudência” que o comité de política monetária presidido por Janet Yellen revelou na última reunião no início de maio. O mercado de futuros dessas taxas aponta para uma probabilidade de 83% dessa decisão se concretizar em junho e de as taxas subirem 25 pontos base para o intervalo entre 1% e 1,25%.

Bolsa de Xangai reage positivamente

Na Ásia, as bolsas chinesas ‘ignoraram’ o corte de rating da China pela Moody’s. No próprio dia do anúncio pela agência, na quarta-feira, a bolsa de Xangai fechou acima da linha de água, com um ganho ligeiro de 0,07% e esta quinta-feira encerrou a subir 1,4%. A bolsa de Shenzhen (na província de Cantão) registou ganhos de 0,53% na quarta-feira e de 0,72% esta quinta-feira. O índice FTSE China A 50 - que abrange as cinquenta principais cotadas chinesas nas duas bolsas - fechou a subir 2,6% esta quinta-feira, depois de uma quebra ligeira de 0,14% no dia anterior.

Ironicamente, o índice de Xangai caiu quase 1% nos dois primeiros dias da semana e o balanço das sessões desde inicio de maio continua negativo, com uma perda de quase 2,9%. Depois de um pico do ano em 11 de abril, o índice de Xangai tem estado em trajetória descendente. O desempenho desde início do ano é negativo, com um recuo de 1,3%, depois de um afundamento de 12% em 2016.

O impacto negativo da descida decidida pela Moody’s – a primeira em 28 anos – da notação de Aa3 (um nível alto de duplo A) para A1 (um grau médio superior) acabou por não se verificar, não agravando a trajetória descendente nas bolsas. O Ministério das Finanças em Pequim criticou, logo, o método de análise da agência de rating como “inapropriado” e enviesado com uma “sobrestimação” dos problemas que a economia chinesa atravessa na atual transição. O Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista, sublinhava esta quinta-feira em editorial que a decisão da Moody’s foi “ilógica”.

Os analistas internacionais destacam que, apesar dos alertas – justificados - sobre a economia chinesa, referidos pela agência de rating, sobre o sobreendividamento do setor privado não financeiro (mais de 200% do PIB), a turbulência no sector financeiro ‘sombra’ e a descida provável do crescimento potencial para o patamar dos 5% nesta década, a dívida externa chinesa é de, apenas, 12% do PIB, a dívida pública está abaixo de 45% do PIB, as reservas de divisas são as maiores do mundo e o peso dos investidores estrangeiros na dívida chinesa é insignificante (1,5% em final de março, segundo o Banco Popular da China).

  • Os banqueiros centrais norte-americanos consideraram ser apropriado "em breve" voltar a subir as taxas de juro, segundo a ata da reunião realizada no início deste mês e divulgada estas quarta-feira. Houve, também, consenso para iniciar no final do ano uma redução gradual da sua carteira de títulos no valor de 4,5 biliões de dólares