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Reabilitação precisa 
de 60 mil trabalhadores

“220 mil pessoas saíram mal do sector”, diz Reis Campos, presidente da CPCI

Nuno Fox

Sector tem falta de chefes de obra, orçamentistas, carpinteiros, pedreiros e eletricistas

Rute Barbedo

Ainda que não a muitos decibéis, a retoma do sector da construção já é assunto entre empresários, que têm aproveitado não só o comboio da internacionalização como o investimento estrangeiro (e o turismo) alocado à reabilitação de edifícios, um eixo que se tem feito sentir principalmente em Lisboa e no Porto. No último trimestre de 2016 registaram-se mais 16,2% de edifícios licenciados relativamente ao período homólogo do ano passado, sendo que a reabilitação contou com uma subida de 12,1%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). “Há dois anos construíram-se 6000 fogos e agora [em 2016] estamos nos 12 mil”, concretiza Manuel Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI). A retoma também se fez sentir no plano do emprego. Os dados do inquérito ao emprego do INE revelaram um aumento de 6,7% do número de trabalhadores da construção no último trimestre do ano (relativamente ao período homólogo de 2015), que hoje ultrapassam os 300 mil.

Um milhão por explorar

Mas se há pelo menos um milhão de imóveis degradados no território nacional (também segundo o INE, ainda que a análise tenha recaído exclusivamente sobre as cidades de Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Leiria e Coimbra), isso significa que “temos de ser mais dinâmicos”, defende Reis Campos, lançando o enquadramento: “Se esta área representasse negócios na ordem dos €2000 milhões num ano, teríamos todo o património reabilitado mas, neste momento, vamos a metade. Lisboa e Porto têm trabalhado, mas noutras cidades não se passa nada.” Para que o sector acelere, falta sobretudo mão de obra, considera o responsável, estimando a necessidade de 60 mil trabalhadores, desde coordenadores de obra, passando por pintores, técnicos de pavimentação, pedreiros, carpinteiros, eletricistas e orçamentistas.

A crise económica que, sobretudo a partir de 2008, abalou fortemente o sector “obrigou as empresas a redimensionarem-se e a reajustarem-se, bem como a apostar na internacionalização. E um mercado global significa postos de trabalho a nível internacional”. Conclusão: “220 mil pessoas emigraram nos últimos anos e na sua maioria saíram mal do sector. Neste momento não as temos”, explica Manuel Reis Campos, garantindo que os trabalhadores atualmente em funções têm as competências necessárias para lidar com o mercado atual. “Os portugueses são reconhecidos em todo o mundo pelo seu excelente trabalho”, sublinha.

No entanto, “há muita clandestinidade nesta área; executar trabalhos sem pedidos de licenciamento é completamente ilegal e continua a acontecer”, sublinha o representante, que aponta a fuga ao Fisco e a falta de alvarás e de segurança como realidades frequentes.

Cidades do futuro

A aposta na reabilitação urbana reflete, ao mesmo tempo, uma nova forma de pensamento, menos centrada na construção de raiz e dando primazia à sustentabilidade. Os novos paradigmas, desde as ‘cidades do futuro’ às economias de baixo consumo energético, colocam a reabilitação num lugar privilegiado, inclusive ao nível de políticas públicas. Por outro lado, tendo em conta as baixas taxas de juro praticadas por alguns bancos nas soluções de poupança, “as pessoas viram na reabilitação urbana uma forma de investir de forma segura o seu dinheiro”, analisa o presidente da CPCI.