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PT quer avançar com rescisões em larga escala e já abordou o Governo

Armando Pereira (à esquerda) e Patrick Drahi estão mais focados nos EUA. Liderança de Paulo Neves segue estratégia desenhada em Paris

Rui Duarte Silva

Em causa podem estar até 3000 postos de trabalho. A PT ainda não pediu o estatuto de empresa em reestruração, mas já sondou o Executivo e a ideia foi recebida com apreensão

A Altice quer avançar com um plano de emagrecimento agressivo na PT e já abordou informalmente o Governo nesse sentido, apurou o Expresso. A estratégia da gestão do antigo operador histórico, controlado desde junho de 2015 pela empresa franco-israelita Altice, é ter margem para rescindir o contrato com à volta de um terço dos trabalhadores no ativo, o que aponta para cerca de três mil pessoas, um número muitíssimo acima do permitido por lei. Por isso, a PT Portugal já sondou o Executivo de António Costa no sentido de perceber qual é a abertura para pedir ao Ministério do Trabalho e da Segurança Social (MTSS) o estatuto de empresa em reestruturação. Atualmente, a PT só pode rescindir o contrato com 80 trabalhadores por triénio. Para aumentar a quota terá de ter um parecer positivo das autoridades e obter o estatuto de empresa em reestruturação (EER) — só se o pedido for aceite uma tão grande quantidade de trabalhadores terá direito a subsídio de desemprego. O pedido ainda não deu entrada no MTSS, assegurou ao Expresso junto de fonte oficial do Ministério. Já fonte oficial da PT nega que tenha havido sequer conversas informais sobre este cenário.

“A PT disse sempre que a integração numa multinacional implica a adaptação do negócio futuro a uma escala global, e isso exige novas qualificações. Há trabalhadores que se adaptam, outros não”, sublinha fonte oficial. E acrescenta: “A PT caminhará no sentido de adequar em qualidade e quantidade a sua força de trabalho às necessidades de mercado. Sairão alguns trabalhadores e entrarão outros, com diferentes qualificações, mais adequadas às exigências de futuro. Não estamos em tempo de colocar vários milhares de trabalhadores em casa com salários e deixar outros a trabalhar sem a justa compensação. A PT quer remunerar melhor a dedicação dos seus trabalhadores, daqueles que, efetivamente, trabalham. Só o pode fazer se for uma empresa saudável”. Desde que a Altice tomou conta da gestão da PT já saíram da empresa, de forma negociada, cerca de mil trabalhadores. Hoje, a PT tem à volta de 9500 pessoas no ativo.

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