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Ex-economista-chefe do FMI: “Portugal terá de viver com uma dívida de 130% do PIB”

António Pedro Ferreira

Em entrevista ao Expresso, Olivier Blanchard diz não esperar melhorias nas condições dos empréstimos europeus e garante que Portugal não vai “receber o cheque do resto da Europa”. Mas defende que não deve haver pressas na redução do défice

Olivier Blanchard não espera que possa haver uma revisão das condições dos empréstimos europeus que representem um alívio da dívida. “Terão que viver com uma dívida de 130% do PIB”, disse em entrevista ao Expresso a publicar na íntegra na edição de amanhã. Blanchard está em Lisboa para uma conferência sobre os desafios macroeconómicos portugueses para a próxima década.

“Não vão receber o cheque do resto da Europa”, garante o ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). O que não quer dizer, no entanto, que tenha que haver um reforço de austeridade. Pelo contrário, Blanchard até considera que não deve haver pressas na redução do défice e que pode inclusivamente ser utilizado algum estímulo orçamental se servir para investimento público ou para lidar com o crédito malparado da banca. Isto, claro, numa perspetiva estritamente macroeconómica e sem ter em conta as regras orçamentais europeias.

O economista francês também não espera uma nova fuga de investidores, como aconteceu em 2010 e 2011 antes do resgate. “Apenas aconteceria se o Governo fosse irresponsável e não me parece que seja o caso”, sublinha. E deixa um conselho sobre o desemprego: “Não aceitem a ideia que 10% é o valor com que tem que se viver”.