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Faria de Oliveira: "Banca arrisca perder €8,8 mil milhões no Novo Banco"

Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, está preocupado com custo do BES

Luis Barra

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Faria de Oliveira, afirma que os bancos do sistema arriscam "montante astronómico" no Novo Banco

O líder da associação que representa os bancos portugueses, Faria de Oliveira, considerou que a venda do Novo Banco à Lone Star deixando 25% do capital do antigo BES no Fundo de Resolução deixa margem para que o montante a pagar pelos bancos contribuintes do fundo possa atingir €8,8 mil milhões. Um "montante astronómico" que, sublinha, "representa 5% do Produto Interno Bruto" .

Uma soma simples entre o valor injectado em agosto de 2014 aquando da resolução - 4,9 mil milhões - e o que está subjacente ao mecanismo que fica por conta do fundo após o compromisso de venda ao fundo norte-americano Lone Star e que ascende a €3,9 mil milhões.

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) referiu ainda que a venda parcial do Novo Banco não era o que estava em cima da mesa quando se lançou o concurso e que o facto do Fundo de Resolução ficar com 25% do banco deixa mais responsabilidades aos bancos contribuintes do mesmo. Ou seja a obrigação de injetar capital até um montante de €3,9 mil milhões se a venda dos ativos problemáticos que estão a cargo do Fundo (escolhidos pela Lone Star) colocarem em causa os rácios de capital.

Faria de Oliveira disse mesmo que "o setor fica penhorado" durante décadas. Mas, também, assumiu que, do mal o menos, já que o cenário alternativo seria a liquidação do banco, afastado o cenário de nacionalização e de prorrogação do prazo como banco de transição por mais dois anos.

Recordou ainda que a decisão de resolução do antigo BES constitui "um pecado original" na solução escolhida pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças e que se manifestou contra naquela altura.

Bancos arrumaram a casa em 2016
O presidente da APB diz que os bancos estão a fazer o seu caminho e que "2016 foi um ano de muito trabalho". "Os bancos arrumaram a casa: concluiu-se o pagamento da linha de recapitalização à banca no período da troika, alguns bancos reforçaram as provisões e imparidades e recapitalizaram-se". Considera, por isso, que 2017 será um ano de "recomeço e recuperação por parte do sistema", embora reconheça que "ainda há bancos que estão a ajustar e a reestruturar as suas operações".

Para que a banca possa recuperar, Faria de Oliveira afirma que o crescimento da economia é fundamental e isso parece estar a acontecer, resta saber se de forma sustentada.

No que toca a um tema sensível para a banca, o aumento das comissões, o presidente da APB socorre-se da estatística para dizer que, de 2015 para 2016, as comissões líquidas do setor caíram 12,6% e concluir que "a grande maioria dos bancos reduziu as suas comissões, nomeadamente as relativas a manutenção de conta, cartões de crédito e comissões em operações financeiras.

Aproveita ainda para defender o sector que representa. " As comissões servem para cobrir parte dos custos da atividade, o que é legítimo e normal, quando se presta um serviço". Comparou mesmo, as comissões da banca aos custos que os clientes suportam nas faturas da água, da luz e do gás.