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Construção. Fundo Vallis vale zero

A Caixa Geral de Depósitos considera que a participação no fundo Vallis vale zero. O BCP corta 88% no valor. A banca terá de reconhecer imparidades de 540 milhões

Segundo a banca, o fundo Vallis Constrution, dono do conglomerado Elevo, vale zero. A Caixa Geral de Depósitos reconhece como perdida a sua participação de 64,5 milhões de euros.

O BCP é menos drástico e corta 88% do investimento de 239,4 milhões, atribuindo-lhe, no relatório de 2016, um valor residual de 29,4 milhões.

O fundo, lançado em 2012, declara ativos sob gestão de 540 milhões de euros, mas este número reflete tão só o capital inicial. Na altura, a banca transformou em unidades de participação os créditos sobre as cinco construtoras absorvidas. Os 540 milhões correspondem às imparidades que os bancos subscritores registaram gradualmente ao longo dos cinco anos de vida do fundo.

No fim de 2015 as perdas registadas somavam apenas 137 milhões de euros. Em 2016, critérios mais exigentes para evitar surpresas futuras levaram os bancos a anular praticamente o valor inicial. Por exemplo, a Caixa registava perdas potenciais de 10,2 milhões no fim de 2015. Seis meses depois, o valor já dispara para 34 milhões. Em 2014, a banca reconhecera apenas perdas ligeiras face aos ativos cedidos ao Vallis Construction.

BCP é o mais castigado

O BCP é o maior subscritor do fundo (45%) pela elevada exposição à construtora Monte Adriano, uma das cinco englobadas no fundo. Seguem-se a Oitante (ex-Banif) e Novo Banco, com 20% cada. Caixa e Montepio completam o núcleo de fundadores. Quando O Banif transferiu a participação para a Oitante, ela ficara avaliada em metade dos 76 milhões iniciais.

A operação de consolidação conduziu à fundação do grupo Elevo, o terceiro maior do sector da construção. absorvendo duas das principais construtoras, a Edifer e MonteAdriano, e ainda a Eusébios, Hagen e Ramos Catarino, de média dimensão e todas elas com processos de proteção de credores a correrem no circuito judicial.

O fundo atualiza regularmente o valor dos ativos, adotando referências do mercado, como se de uma empresa cotada em bolsa se tratasse. Em cada exercício, as contas auditadas são partilhadas com os subscritores que depois evidenciam nos balanços, segundos os seus critérios, a valorização da sua participação.

O grupo Elevo registou uma produção em 2015 de 460 milhões de euros, distribuída por 11 mercados e declara uma carteira de 800 milhões. Conta, além de concessões rodoviárias, com 1200 ativos imobiliários, avaliados a preços de mercado em 150 milhões.