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Paga o que for preciso para ter verdade e autenticidade? Isso é o luxo

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Comida, design artesanal e a Internet do ultraluxo dão o mote à abertura da conferencia FT Business of Luxury Summit, no Ritz em Lisboa

No arranque da conferência FT Business of Luxury Summit não se falou de dourados ou pedrarias, o chamado 'bling-bling' associado aos negócios de luxo. No seu lugar, a indústria explora cada vez mais a verdade e a autenticidade inerentes à experiência de compra que, por isso, assume o estatuto de luxo.

Nuno Mendes, chefe de cozinha de origem portuguesa e dono do Chiltren Firehouse, em Londres, leva este principio ao limite ao defender que a comida é o novo luxo. O chefe defende que clientes e os consumidores mudaram e querem uma relação verdadeira com quem faz os produtos. “Os restaurantes são um exemplo disto”, sustenta Nuno Mendes, rematando que as pessoas querem mais do que uma boa refeição. “A história para lá da comida é o que conta. Vemos os chefes mais importantes a fazerem isso”, acrescenta. Nesta sua visão, a interação entre o chefe e o cliente é o mais importante, fazendo desse luxo algo de “divertido e gratificante”.

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Se Nuno Mendes considera luxo o tipo de experiência, Jonathan Anderson, diretor criativo da Loewe, nem sequer tinha ideia do que era luxo antes de entrar ao serviço da marca do grupo LVMH.

“Vendi a minha marca (a J.W. Anderson) ao grupo e não percebia nada do que era o luxo, não consumo luxo nem perceciono a minha marca como luxo”, explica o designer de 32 anos, que trouxe ao grupo LVMH uma lufada de modernidade, seja com a introdução da sua marca no portefólio do centenário grupo francês, seja através do reposicionamento da espanhola Loewe, enquanto diretor criativo.

O designer distingue-se por representar uma nova geração na indústria do luxo, que resgata e dá protagonismo a matérias-primas como o couro e ao trabalho artesanal. Talvez por isso, Jonathan Anderson assume-se mais como um curador do que um designer de moda. “Tenho de ser capaz de fazer um trabalho em que as pessoas acreditem”, diz o diretor criativo da Loewe, referindo-se à verdade que é preciso colocar naquilo que se faz nesta indústria. “As pessoas querem realidade”, remata.

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O último orador da manhã, o italiano Frederico Marchetti, CEO do Yoox Net-a-Porter Group, vem do lugar oposto do mundo real: a internet. Lidera a maior empresa de comércio eletrónico de moda de luxo, criado depois da fusão entre o Yoox e o Net-a-Porter, há dois anos. Começou em 1999, com o Yoox, certo de que a fria e impessoal internet era o local ideal para vender vestuário de luxo.

Diziam-lhe que era louco, que ninguém compra vestidos de milhares de euros sem experimentar. Estavam enganados. “Em 2017, começámos a vender relógios e perguntaram-me se é possivel vender relógios de centenas de milhares de euros. A resposta é sim”, conta Frederico Marchetti, revelando que há dois dias a plataforma que dirige vendeu um relógio de 130 mil euros.

O segredo? “Conhecer o cliente”, responde, referindo o advento do 'big data' como fundamental neste caminho, por tornar a experiência com o consumidor verdadeiramente individual e pessoal. No entanto, não acredita na superautomatação. “Acredito que a natureza humana é mais forte do que a tecnologia”, remata.