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Margem sul do Tejo prepara oferta 
de quase 1000 quartos

Projeto Lisbon South Bay e aeroporto são determinantes para a hotelaria

ALDA MARTINS

Vários municípios da margem sul do Tejo estão a preparar-se para aumentar a oferta hoteleira. Entre os projetos em curso e os que ainda necessitam de financiadores são quase mil quartos que podem ficar disponíveis para receber turistas em Almada, Seixal, Alcochete e Montijo nos próximos anos.

O arranque das obras no âmbito projeto Lisbon South Bay — que contempla áreas em Almada, Seixal e Barreiro com vista à reabilitação do Arco Ribeirinho Sul — e o aeroporto, cuja localização prevista é o Montijo, serão determinantes para que esta oferta se materialize.

A visão turística do presidente da Câmara do Seixal contempla vários hotéis, alojamento local, a construção de uma ponte pedonal de ligação ao Barreiro (um projeto conjunto dos dois municípios) e a aposta na náutica de recreio.

É na baía do Seixal que o autarca deposita mais expectativas. “Queremos que constitua um espaço turístico, de lazer e recreio”, disse ao Expresso Joaquim Santos. Acresce a Península — Pontas dos Corvos — que é uma zona ecológica e a “única praia fluvial virada para Lisboa”. Com os problemas na água, provocados pela construção da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Almada, quase resolvidos, o autarca acredita que em dois anos terá novamente classificação de qualidade balnear.

“Acho que neste espaço temos a possibilidade de desenvolver um eco resort com um centro de desportos náuticos.” Um projeto no qual o Campismo de Lisboa já manifestou interesse.

Já na antiga seca do bacalhau está em fase de licenciamento, por parte da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), um hotel do grupo Salvador Caetano.
“Qual é o hotel em Lisboa onde você chega de barco? Este será o primeiro.” Sem revelar o nome, o autarca assegura ainda que há um grupo interessado na construção de um outro hotel na antiga fábrica corticeira Mundet, onde já existe um restaurante.

Quem também anda à procura de um parceiro para o hotel na herdade Monte Verde é o grupo Silveira (SIL). Acresce o desejo de construção do hotel Benfica, junto ao centro de estágio do clube no Seixal: “Só falta um investidor.” E projetos de menor dimensão como o hotel do Largo dos Restauradores.

Seguindo pela margem sul do rio em direção a norte, a 33 quilómetros do Seixal, encontramos Alcochete. O presidente da Câmara, Luís Miguel Franco, é mais um descontente com a localização do futuro aeroporto no Montijo, que assegura não estar fechada. Desde 2001 a população de Alcochete passou de 12 para quase 19 mil habitantes.

Com uma frente ribeirinha de cerca de 11 quilómetros, a aposta no turismo também se tem intensificado. “Nos últimos anos estamos a transformar os visitantes em turistas — criando condições para que pernoitem, pelo menos, uma noite.”

Desde 2015, apesar do patamar ainda ser incipiente, houve um crescimento de turistas de 21% e um incremento muito grande de visitantes, que fazem com que a principal atividade no centro histórico seja a restauração.

Um crescimento que justifica mais oferta de alojamento no município, como o resort Praia do Sal, “que também permite requalificar parte da zona ribeirinha” e está em fase final de construção. E o hotel de turismo rural Barroca d’Alva.

Mesmo ali ao lado, no Montijo, o presidente da Câmara Nuno Canta tem uma posição diferente sobre o aeroporto: será construído na base aérea nº 6 e o sector hoteleiro já sondou a Câmara, concretamente o grupo Accor, que detém as cadeias, Ibis, Novotel, Mercure, & Sofitel.

Voltando a caminhar no sentido da foz do Tejo, a meio do caminho entre Almada e Montijo, encontramos o Barreiro. O cariz historicamente industrial da cidade retira-lhe potencial turístico. Menos assim o presidente da Câmara, Carlos Humberto de Carvalho, acredita que é possível atrair turistas para a cidade.

“Temos um património industrial único no país, apesar de muito abandonado”. São sete moinhos, de vento e maré, na zona de Alburrica que a Câmara quer recuperar. Além disso, “comprámos uma quinta de 12 hectares na zona ribeirinha, a do Braamcamp — antiga plantação de amoreiras para a criação do bicho-da-seda — por €3 milhões, e queremos potenciar os espaços urbanos, a frente de rio e as atividades náuticas”. As obras são para começar já este ano até porque, à semelhança dos moinhos, há fundos comunitários envolvidos. “É indispensável olhar para a região como uma cidade de duas margens, em que o Tejo é assumido como elemento motor do desenvolvimento”, refere.

Neste sentido, a Câmara resolveu recriar a “Muleta”, uma embarcação tradicional dos pescadores do Barreiro de há 100 anos e que servirá para transportar turistas entre as duas margens do rio. Ao lado, no Seixal, a embarcação o “Varino” está a testar a mesma ideia desde 22 abril.

Em Almada, o primeiro hotel projetado para a “Cidade da Água” continua como todo o plano Lisbon South Bay, à espera do Governo.