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“Desde o Vietname que não via tanto ativismo”

Robert Reich, Secretário do Trabalho de Bill Clinton, ativista anti-Trump e autor de “Saving Capitalism”

António Pedro Ferreira

Há 50 anos, um trabalhador da General Motors, então o maior empregador nos EUA, ganhava o equivalente a 35 dólares por hora. Hoje, é a cadeia Walmart o maior empregador e os funcionários em início de carreira ganham 9 dólares por hora. Este mundo mais desigual foi o caldo perfeito para o surgimento dos movimentos populistas que abalam as principais economias, defende o economista Robert Reich, secretário do Trabalho de Bill Clinton e orador da conferência “Como a desigualdade nos Estados Unidos criou Trump: um aviso à Europa”, promovida pelo PS, no ISCTE, na última quinta-feira. Defensor do rendimento básico universal, adverte para os problemas que vão marcar o mercado laboral no futuro: o desemprego tecnológico, o fim da relação laboral tradicional e a emergência de monopólios das empresas de tecnologia. E alerta: há que regular os mercados, sem regras eles não funcionam.

Nunca as desigualdades económico-sociais estiveram tão presentes nas campanhas eleitorais. Porquê?


É um processo que começou no final dos anos setenta nos EUA e se estendeu à Europa nas décadas seguintes. A desigualdade começou a alargar-se e a estrutura salarial a divergir. Desde a II Guerra Mundial e até então, o crescimento económico era paralelo ao do salário médio. Há muita controvérsia sobre as razões para isso ter acontecido, há quem sublinhe os aspetos da globalização e das mudanças tecnológicas, mas houve um terceiro fator — as empresas assumiram o controlo. As empresas focaram-se no valor acionista, excluindo o resto: abandonaram os trabalhadores e comunidades para garantirem mais ganhos, o que explica em muito a estagnação dos salários da maioria.

As desigualdades geram o populismo e nos EUA geraram também Trump. Que elementos em comum vê na Europa?

As pessoas celebram o facto de Marine Le Pen não ter ganho — o que é ótimo — mas ela conquistou um terço dos votos. Se não fizermos nada relativamente a estes fenómenos, racismo, nacionalismo, xenofobia, eles continuarão a crescer porque não são resolvidos os problemas estruturais da economia. A maioria das pessoas pensa que o sistema está contra elas e votarão por homens fortes ou numa nova era de autoritarismo. Sentem que neste sistema todos são corruptos.

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