Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Alunos de turismo vão aprender a dançar

Empregabilidade das escolas do Turismo de Portugal é de 89%, mas ainda pode subir mais

Marcos Borga

Reforma curricular do Turismo de Portugal visa aliar à técnica melhores competências relacionais

RUTE BARBEDO

Os alunos das escolas do Turismo de Portugal (TP) vão passar a estar mais preparados para “a realidade do mercado”. A partir de outubro, disciplinas de comunicação e de expressão dramática, tal como a maior ênfase em idiomas estrangeiros (esta semana, um estudo do Ministério da Educação demonstrou que, a seguir à Matemática, é no Inglês que existem mais dificuldades no 2º ciclo do ensino básico) vão fazer parte dos currículos dessas escolas. “Muito por culpa do arrastar da situação e de não terem sido ouvidos os parceiros, faltava a componente soft” aos currículos escolares, afirma Luís Araújo, presidente da entidade, que pretende que as instituições de ensino tenham “um papel mais interventivo e um cunho mais atual do que serem simplesmente máquinas de produzir profissionais”.

A técnica não chega

A decisão, integrada na Estratégia Turismo 2027, surge na sequência de três meses de reuniões com empresários do sector, em que se verificou que a técnica e as “excelentes instalações e equipamentos” não são suficientes para formar os profissionais do futuro. “Pela primeira vez, organizámos grupos de trabalho com associações do sector, empresários, chefes de cozinha e empreendedores, para que nos dissessem o que estava bem e o que precisavam que fosse mudado. Percebemos que a formação técnica era bem dada mas que era preciso inovação. As soft skills [competências pessoais] tinham de ser implementadas”, explica, concretizando com um exemplo: “Hoje, um chefe não se limita a ficar fechado na cozinha a cortar cebola. Tem de vir à sala falar com os clientes, perceber o que eles querem, saber comunicar. É preciso ter um mundo por trás daquilo que é servir um prato. Os turistas esperam isso.” E esse mundo, acredita o TP, pode ser potenciado e apurado através da aposta em áreas mais criativas, “como a comunicação, o storytelling [a capacidade de contar histórias], a arte dramática ou a dança, já que trabalhar neste sector chega a questões como “a expressão corporal, a presença”, na opinião de Luís Araújo.

Visão empresarial

Em paralelo, incluir a temática do empreendedorismo na agenda formativa, estabelecer sinergias com instituições estrangeiras e aproximar os alunos às empresas, incubadoras e startups instaladas em solo nacional fazem parte do leque das mudanças para “aumentar ainda mais a empregabilidade [de 89% na generalidade dos cursos e de 100% na área da cozinha], esgotar a capacidade das 12 escolas do Turismo de Portugal [há 3100 alunos para 4000 vagas] e contribuir para a sua internacionalização. Foram aprovados, ainda, dois novos cursos, dedicados ao turismo cultural e de património e ao turismo de ar livre, áreas (como as atividades ligadas à natureza) em que o interesse tem vindo a acentuar-se e cuja aposta representa uma diversificação do sector e uma arma contra a sazonalidade.

Quanto à tónica nas línguas estrangeiras, a hipótese de incluir o alemão — para responder a um dos principais mercados emissores de turismo — como disciplina opcional está em cima da mesa. Porém, a maior alteração refere-se à adoção do Inglês como língua de aprendizagem transversal a várias disciplinas. Segundo Luís Araújo, o objetivo não é apenas preparar os alunos portugueses como atrair estrangeiros a estes estabelecimentos, também através do programa de intercâmbios. “Estamos a contactar muitas escolas de referência, para ver possibilidades de sinergias. No ano passado, tivemos um grupo de 20 chineses em Lamego, durante um mês e meio, a fazer um curso sobre vinhos. Dois já queriam ficar em Portugal”, conta o presidente do Turismo de Portugal.