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5000 empregos 
‘à deriva’ 
em Lisboa 

Conhecer empresas e profissionais de topo num cruzeiro pelo rio Tejo é uma das propostas do festival foto

DR

Cerca de 60 empresas aliam a tecnologia à vontade de contratar

RUTE BARBEDO

É um dos maiores eventos da Europa dedicado a carreiras em áreas tecnológicas e atraca — sim, uma parte do festival decorre a bordo de barcos “apetrechados de tecnologia”, no rio Tejo — em Lisboa nos dias 2 e 3 de junho. O Landing.careers Festival contará com a participação de 1500 profissionais, 60 empresas, 5000 oportunidades de emprego e 30 oradores focados em “potenciar e contribuir para o desenvolvimento das carreiras na área da tecnologia”, mais do que, como aconteceu em anos anteriores, ajudar os visitantes a procurar emprego.

Pedro Oliveira, cofundador da Landing.jobs, a startup portuguesa que organiza o evento gratuito, justifica a transformação: “Somos uma empresa com uma cultura startup, portanto, decidimos dar um passo disruptivo e testar um novo conceito para o festival. Esta mudança vai ao encontro da visão da Landing.jobs, que é conseguir criar as ferramentas para que os profissionais de tecnologia tomem decisões mais acertadas, que beneficiem as suas carreiras.” Além de oportunidades de emprego, o evento também conta, pela primeira vez, com sessões de aconselhamento de carreira dirigidas por especialistas e workshops.

Alterar o foco de um festival do emprego para o conceito de carreira é assumir que não existem obstáculos à empregabilidade nas áreas tecnológicas, uma realidade que Pedro Oliveira contextualiza: “Praticamente todos os trabalhadores em tecnologias da informação estão empregados e, quando pensam em mudar, acabam por não procurar apenas um trabalho mas sim o trabalho certo, que faça sentido de acordo com a carreira em que querem investir.” No entanto, “o mercado não transmite este sentimento”, ao mostrar-se voltado para as noções de “curto prazo” e de “benefício imediato”, contrárias às ambições da startup portuguesa sediada em Londres.

Da lista de empresas convidadas para o festival, fazem parte nomes como a Aptoide, a Microsoft, a Farfetch, a Panalpina, a Pipedrive, a Bosch, a Cabify ou a KPMG, “apenas nomes internacionais de bastante relevo”, qualifica o profissional. Entre as mais de 60 empresas presentes, todas assumem “planos de recrutamento extremamente ambiciosos”, pelo que as 5000 oportunidades de emprego que estarão ‘à deriva’ nos ‘palcos’ do festival — o Pavilhão de Portugal e os barcos reservados a um ambiente descontraído, para a troca e afinação de contactos — acabam por ser “um número conservador”, admite Pedro Oliveira, que especifica: “Empresas como a Farfetch, a Sky ou a Pipedrive, por exemplo, já estão a montar os seus hubs tecnológicos em Lisboa, ao mesmo tempo que crescem os seus outros polos de tecnologia em diversos lugares da Europa e do mundo.” Uma parte destas organizações, dá conta o responsável, “faz questão de deslocar-se ao Landing.careers Festival para decidir se monta ou não o seu hub tecnológico em Portugal”.

Se neste festival “não há fatos nem cartões de visita”, como se lê na página oficial, é porque quem o organizou está “farto das velhas feiras de emprego”. Pedro Oliveira explica que, há três anos, antes de lançar o Landing.jobs (este era o nome inicial da iniciativa) a empresa visitou feiras de emprego em vários países europeus, incluindo Portugal, e teve a perceção de que “o velho modelo de feira está ultrapassado e é pouco eficaz”, uma vez que não conseguiu acompanhar o dinamismo do mercado tecnológico.