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Subida dos juros custa entre €4,4 e €8,7 mil milhões a famílias e empresas

Salvador dos periféricos do euro, para uns, nos países do sul, Mario Draghi é condenado por outros como o coveiro dos aforradores do norte e alimentador de uma ‘bolha’ financeira. Para o recordarem disso, esta semana, deputados holandeses em Haia ofereceram-lhe uma tulipa a energia solar para que se lembre da bolha financeira em torno destas flores ocorrida em 1637, na Holanda

Denis Balibouse / Reuters

Devedores portugueses são os mais afetados, em termos de peso no PIB, pelo fim da política de juros ‘zero’ do BCE

Tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível.” A frase é de Fernando Pessoa e foi escrita muito antes de o Banco Central Europeu (BCE) ter arrancado com o programa de compra de dívida, em março de 2015. Mas as palavras do poeta podem bem aplicar-se aos efeitos da política de Mario Draghi nos últimos anos. Para famílias e empresas altamente endividadas, uma descida dos juros é um balão de oxigénio que dificilmente se esquece. Principalmente numa altura em que a economia estava a sair de uma recessão de três anos e de um pesado programa de ajustamento orçamental. Só que, quando Draghi começar a tirar o pé do acelerador, a situação vai inverter-se. E a fatura com juros vai agravar-se e muito.

Um estudo da Allianz e da Euler Hermes, a que o Expresso teve acesso, estima que a descida das taxas de juro no mercado tenha ‘poupado’ €12 mil milhões em juros às famílias e empresas portuguesas no ano passado. Mas calcula que até 2022 pode haver um agravamento entre €4,4 e €8,7 mil milhões. Tudo dependerá de como for feita a “normalização” da política monetária do BCE. O documento considera três cenários de normalização: suave, moderada e brusca. No primeiro caso, admite-se que os juros ficam a zero até 2018 e só começam a subir em 2019 a um ritmo de 0,5 pontos ao ano até 2022. No cenário moderado, o primeiro aumento acontece já no próximo ano com 0,25 pontos, seguido de aumentos de 0,5 pontos em 2019 e de 0,75 pontos nos três anos seguintes (2020-2022). Na normalização brusca, a subida em 2018 é já de 0,5 e acelera para 0,75 ao ano a partir de 2019. Estes cenários não têm em conta o fim do programa de compra de ativos — e o seu desmantelamento gradual – que deverá acontecer em paralelo com o processo de subida das taxas diretoras.

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