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Bragança quer subir a fasquia no turismo

Os velhinhos celeirosda EPAC vão ser reconvertidos no futuro museu da Língua Portuguesa

D.R.

Museus, ciclovias e reabilitação para isolamento. Museu da Língua Portuguesa terminado no final do ano

Os antigos silos de cereais da EPAC em Bragança vão ser transformados no futuro Museu da Língua Portuguesa, uma obra de €6 milhões e que será a cereja em cima de um bolo com massa feita de fundos europeus e recheado de obras de reabilitação, sobretudo no centro histórico.

Derrubando o velho muro da interioridade, Bragança está cada vez mais orientada para os turistas. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam taxas de crescimento significativas, com uma subida de mais de 21% nas dormidas (cerca de 76 mil), em 2015, face ao ano anterior, números que não beneficiavam, ainda, do efeito da abertura do túnel do Marão (em 2016).

No centro histórico, para onde são canalizados eventos festivos e vão ser transferidos alguns serviços públicos de forma a aumentar o dinamismo local, há uma artéria conhecida por Rua dos Museus tal a densidade de equipamentos culturais por metro quadrado - incluindo o edifício do Prémio Pritzker de Arquitetura, Souto Moura (Centro de Arte Contemporânea Graça Morais). Muitos deles são de construção recente e alguns acabam de receber obras de requalificação aumentando a sua atratividade e as condições de usufruto por munícipes e turistas.

Ainda naquela área geográfica, a autarquia tem adquirido imóveis degradados para os reabilitar e, de seguida, dar uso como residências estudantis ou habitação para jovens. Mas também há obras de renovação, concluídas ou projetadas, em bairros sociais, unidades hoteleiras e noutro tipo de oferta turística da região.

€25 milhões para investir

Sendo já considerada uma cidade inteligente — surge a seguir a Porto, Águeda e Cascais nesse ranking — aquela urbe transmontana quer ser, também, uma ecocidade e para isso, entre outras medidas, aposta em construir mais 22 quilómetros de ciclovias (a acrescentar aos atuais sete) e introduzir mais 100 bicicletas (além das 20 elétricas já existentes), tendo em vista, especialmente, as deslocações dos estudantes entre as residências que habitam no centro histórico e os estabelecimentos de Ensino Superior.

Os fundos europeus oriundos dos quadros comunitários de apoio têm sido o suporte dos planos estratégicos de desenvolvimento urbano delineados pelo poder local. O mais recente, apresentado em meados de março pelo executivo, tem um financiamento previsto de cerca de €25 milhões, dos quais quase €18 milhões através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (Feder). O seu objetivo é aprofundar os investimentos dos últimos anos em três programas específicos: reabilitação urbana, ações de integração das comunidades desfavorecidas e mobilidade urbana sustentável.

Precisamente, um dos projetos mais emblemáticos contidos no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), na vertente da reabilitação urbana, é a construção do Museu da Língua Portuguesa, “o primeiro a nível nacional” e que irá ocupar os antigos e abandonados silos da EPAC em Bragança, com um custo de €6 milhões.

“Estamos certos de que esta obra será uma marca não só a nível nacional, mas também internacionalmente”, antecipa Hernâni Dias, revelando que o júri está a analisar as 18 propostas que se apresentaram ao concurso de ideias criado para o efeito. “A empresa que ganhar este concurso ficará com a responsabilidade de apresentar o projeto definitivo para depois se passar à adjudicação”, acrescenta.

O desafio será pôr a engenharia civil a dar respostas à necessidade de fazer pisos no interior dos grandes tubos onde se armazenavam os cereais. Mas também assegurar os conteúdos do equipamento.

Quanto a prazos, “não há datas fixadas, mas o meu desejo é que no final deste ano tenha o projeto executado e as obras a iniciarem-se”, diz Hernâni Dias.

Com estes projetos na forja e as empreitadas que se concluíram nos últimos meses e anos, o edil acredita que Bragança será “uma cidade mais atrativa, inteligente e inclusiva ”. Só é pena, lamenta, o estigma que há muito assombra aquela urbe transmontana. “Infelizmente, ainda há muita gente que pensa que Bragança fica muito longe, quando hoje em dia estamos muito próximos de praticamente tudo: a pouco mais de uma hora do Porto, a duas horas e meia de Madrid e a quatro horas de carro de Lisboa”.