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Almada dá mais um passo para recuperar Ginjal

Em 2009 foi assinado um protocolo com o proprietário do espaço no Ginjal mas desde então nada aconteceu

Ana Baião

Projeto é propriedade do grupo madeirense AFA e está parado há anos

Alda Martins

Será desta que se desbloqueia o projeto de reabilitação e contenção da arriba na zona do Gingal em Almada — o espaço junto ao Tejo que se encontra abandonado há vários anos?

Ao Expresso, o presidente do município, Joaquim Judas, disse que o Plano de Pormenor poderá ser aprovado em Junho. “A indicação que tenho é que o desenho está numa fase final e que em Junho estará em condições de aprovação. Vamos ver se não haverá dificuldades da parte de alguma entidade [ambiental ou urbanística], apesar da margem de decisão da câmara, de acordo com a nova lei, ser maior”.

Se tal se concretizar será o primeiro grande passo para desbloquear um processo que tem anos. Em 2009 foi assinado um protocolo tendo em vista a elaboração deste Plano de Pormenor com a proprietária, controlada pelo grupo madeirense AFA. Oito anos de degradação depois, nada aconteceu.

Nem o susto de 2015, quando o chão do paredão ruiu e empurrou para o rio um carro com um casal e um bebé lá dentro, acelerou o processo. Na ocasião, o pior foi evitado mas a câmara teve de intervir e justificou o estado de degradação do Ginjal com a falta de resposta do proprietário.

Foi também nesse ano que a câmara acabou por reunir com os proprietários e com as entidades representativas dos interesses públicos, para apresentação de uma nova versão da proposta de plano. Agora o autarca refere que os donos estão “a trabalhar num projeto de arquitetura que contempla habitação, turismo, comércio e hotelaria”, numa área de 8,44 hectares, limitada a norte pelo rio. Uma vista sobre a cidade de Lisboa de tirar a respiração a quem por ali passa e que até faz esquecer os alertas de perigo de derrocada bem visíveis ao longo daquele espaço. Contactado pelo Expresso, o grupo AFA não fez comentários até à hora do fecho desta edição.

Enquanto não chegam as obras do Gingal ou o concurso público para o projeto da “Cidade da Água”, Joaquim Judas diz que não estão parados e vão avançar, naquilo que é possível, no plano de Cacilhas.

A câmara está a proceder à elevação do submarino “Barracuda”. Será também feito um trabalho de intervenção na fragata “D. Fernando II e Glória” e requalificado o espaço envolvente no âmbito do núcleo museológico. Além de estar previsto desenterrar as salgas romanas, existentes na zona, e intervencionar a arriba virada para o Mar da Palha.

A requalificação da praça onde hoje atracam os barcos da Transtejo só acontecerá mesmo quando o projeto da “Cidade da Água” avançar, com a criação dos terminais na doca 13 e quando o metro deixar de ir a Cacilhas.

Para lá do Ginjal, na direção oposta de Cacilhas, a frente ribeirinha continua e Joaquim Judas também tem planos. A começar pela zona do Olho-de-boi depois do elevador panorâmico sobre Lisboa.

“Há uns armazéns que eram da Companhia Portuguesa de Pescas. Temos tido contactos com as Finanças sobre a viabilização e reabilitação daquela área”. Um projeto que pode concretizar a ideia de uma estação para acolher o barco de investigação oceanográfico, em articulação com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.