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TAP. Governo acredita em “grande sucesso” na venda de ações a trabalhadores

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, disse esta terça-feira ter indicações de um “grande sucesso e grande procura” na Oferta Pública de Venda (OPV) de 5% das ações representativas da TAP, cujo prazo de adesão termina esta quarta-feira. Os trabalhadores aderiram em massa

A adesão dos trabalhadores da TAP à OPV do grupo deverá superar a oferta de 75 mil ações que lhes está reservada e o rateio será renhido. "Todas as indicações que temos são as de um grande sucesso, de grande procura dos trabalhadores [da TAP] no que diz respeito à OPV", disse Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, sem querer referir resultados concretos, na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, onde foi ouvido esta quarta-feira.

O prazo para os trabalhadores da TAP aderirem à Oferta Pública de Venda (OPV) de 5% das ações representativas do capital social do grupo que lhes foi reservada no processo de privatização, iniciado a 10 de abril, termina esta quarta-feira, às 15h.

“A procura está a exceder três a quatro vezes a oferta”, assegurou ao Expresso André Teives, porta-voz da Plataforma Sindical da TAP (que reúne nove sindicatos da empresa). “Sei de um trabalhador que pediu 75 mil ações [a totalidade da OPV] e de mais de uma dezena que pediu 15 mil”, exemplifica.

Segundo "dados apurados pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), a procura de ações ultrapassou cinco vezes a oferta colocada à disposição dos trabalhadores da companhia aérea", divulgou o sindicato esta terça-feira em comunicado. Para David Paes, presidente do SPAC, "estes números superam largamente as nossas expetativas iniciais, o que nos permite concluir que os pilotos se encontram motivados e envolvidos com o futuro da companhia".

Com base na máxima de que “o todo é maior do que a soma das partes”, André Teives afirma que, após a transmissão das ações aos trabalhadores, a Plataforma Sindical criará um veículo de representação acionista para o período que se segue à subscrição de capital. “Poderá ser uma fundação, uma cooperativa ou uma associação. Não terá o objetivo de comprar ações aos trabalhadores que queiram vender, mas sim representar as ações daqueles que o pretenderem”, explica. Sendo que “100 ações valem um voto em assembleia geral da empresa, através do veículo os trabalhadores podem delegar a representação das ações deles”, acrescenta.

Também o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), conforme avançara ao Expresso no início do ano passado, "criou um mecanismo de apoio aos pilotos interessados em adquirir as 75 mil ações disponíveis nesta OPV, garantindo todos os procedimentos administrativos necessários para a operação e também a recompra posterior das ações com um incentivo financeiro", lê-se no comunicado. "Após os 90 dias de indisponibilidade previstos na lei, os pilotos que manifestarem interesse em vender as suas ações podem fazê-lo ao SPAC, que comprará os títulos por um valor que corresponde à acumulação do desconto de 5% com um bónus adicional de 5%", adianta o presidente.

A oferta pública vai abranger 75 mil ações por €10,38 cada, valor que representa um desconto por título de 5% sobre o preço oferecido (€10,93) pela Atlantic Gateway no processo de privatização, segundo o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas. Fonte oficial do gabinete do ministro Pedro Marques afirmou ao Expresso que o apuramento da oferta — cujo rateio será conduzido pelo BPI — será feito e divulgado a 12 de maio e que a liquidação financeira das ações (momento em que são transmitidas e pagas) acontecerá a 16 de maio.

"O dia de hoje é o culminar, é um momento simbólico e importante, que é resultado da forma positiva como os trabalhadores olham para a recomposição que se fez do processo de reprivatização da empresa", afirmou Pedro Marques.

O ministro destacou também a importância do facto de o Estado poder manter-se "como maior acionista" e com isso "manter a estabilidade" e poder "influenciar de forma significativa as opções estratégicas da empresa".

"O dinamismo e o conjunto de opções que os investidores privados trouxeram para a empresa também [são importantes], mas sobretudo esta estabilidade, julgo que é qualquer coisa de muito positivo, deu confiança aos trabalhadores e há-de refletir-se no grande sucesso desta operação de venda aos trabalhadores de 5% de ações", acrescentou.