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Portugal passa ‘teste’ de mercado. Paga menos nos dois leilões de dívida

O IGCP realizou esta manhã dois leilões de dívida obrigacionista, onde colocou €1250 milhões em dívida a 5 e 10 anos, tendo pago aos investidores taxas mais baixas do que em operações similares anteriores

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal regressou esta quarta-feira de manhã ao mercado da dívida com dois leilões de Obrigações do Tesouro (OT) a 5 e 10 anos, tendo colocado o máximo previsto de €1250 milhões e pago taxas de colocação mais baixas do que nas operações anteriores das mesmas linhas de obrigações.

Em particular, no ‘teste’ de mercado da OT a 10 anos que foi lançada numa operação em janeiro, o Tesouro português pagou 3,386%, muito abaixo de 4,227% que pagou aquando da operação de sindicação. Foi a primeira vez que esta nova linha foi a leilão no mercado primário e a taxa de colocação ficou claramente abaixo do limiar dos 4% que se julgava, no início do ano, ser o 'novo mormal' para a dívida de longo prazo.

No leilão da OT que vence em 2022, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) colocou €618 milhões, tendo pago uma taxa de colocação de 1,828%, abaixo do juro de 2,174% na operação de 12 de abril passado. No caso da OT que vence em 2027, a nova linha que serve de referência a 10 anos, o IGCP colocou €632 milhões e pagou 3,386%, uma taxa ligeiramente abaixo das yields no mercado secundário à hora do leilão e significativamente inferior a 4,227%, que pagou em janeiro na operação de sindicação. Nos dois casos a procura pelos investidores foi duas vezes superior à colocação.

“Os resultados foram ligeiramente melhores do que esperávamos, com a taxa de juro da dívida a 10 anos a fazer o valor mais baixo desde final de 2016. Mas na emissão a 5 anos a descida foi mesmo muito acentuada. O certo é que tanto a taxa dos 5 como dos 10 anos refletem a descida do custo da dívida portuguesa a que temos assistido nas últimas semanas. De certa forma, regressou alguma confiança ao mercado de dívida portuguesa, que face à falta de alternativas de rendimento, consegue atrair interessados”, refere Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa.

Para Ricardo Marques, da consultora IMF-Informação de Mercados Financeiros, tratou-se, também, de "um leilão bastante positivo, tendo em conta a forte redução de taxa paga face aos leilões anteriores". Para o analista, "é uma emissão que reflecte claramente a pouca aversão ao risco que se vive actualmente nos mercados financeiros, quer no crédito quer nas acções".

Os dois analistas sublinham que os resultados das eleições presidenciais em França no domingo, com a vitória por margem significativa de Emmanuel Macron, o candidato pró-euro e pró União Europeia, reforçou a gradual redução do prémio de risco das dívidas dos periféricos do euro, e em particular de Portugal, face ao custo da dívida alemã que serve de referência.