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Associados do Montepio reúnem-se para decidir passagem a sociedade anónima

ASSEMBLEIA GERAL A eleição dos novos órgãos sociais da Caixa Económica Montepio Geral, agendada para amanhã, tem estado envolta em polémica

FOTO LUÍS BARRA

Segundo os novos estatutos do banco como sociedade anónima, a Associação Mutualista deixa de ter 100% do capital social do banco, uma vez que os atuais detentores de títulos do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral passam a ser acionistas do banco

Os associados da Associação Mutualista Montepio Geral reúnem-se esta terça-feira à noite, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, para decidir a passagem da Caixa Económica Montepio Geral, sua associada, a sociedade anónima.

Já tinha sido convocada uma assembleia-geral em abril para deliberar sobre este tema, mas a reunião magna foi então adiada por não estarem reunidos dois terços dos associados com direito de voto. A Associação Mutualista Montepio conta com cerca de 600 mil associados.

A reunião desta terça-feira realizar-se-á independentemente do número de associados presente.

O processo de transformação da Caixa Montepio Geral em sociedade anónima começou em março de 2016, por exigência do Banco de Portugal e já foi aprovado na assembleia-geral da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), pelo que falta agora a ratificação dos associados da casa-mãe para que seja concluído.

Segundo os novos estatutos do banco como sociedade anónima, a Associação Mutualista deixa de ter 100% do capital social do banco, uma vez que os atuais detentores de títulos do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral passam a ser acionistas do banco.

De acordo com fonte da associação mutualista, uma vez que esta tem 285 milhões de euros em unidades de participação e 115 milhões de euros estão dispersos, a associação fica com 94,7% do capital social e os restantes acionistas com 5,3%.

A passagem a sociedade anónima permite que o capital social da Caixa Económica Montepio Geral seja aberto a novos investidores, uma possibilidade de que se tem falado nos últimos anos face às dificuldades de a Associação Mutualista injetar mais capital no banco, visto que também se debate com constrangimentos financeiros.

A CEMG apresentou um prejuízo de 86,5 milhões em 2016, uma melhoria face ao resultado líquido negativo de 243 milhões de euros em 2015.

Já da Associação Mutualista Montepio são conhecidas, para já, apenas as contas individuais de 2016, com um lucro de 7,4 milhões de euros.

A associação e o banco mutualistas têm estado em foco, com uma sucessão de notícias negativas, como a constituição de António Tomás Correia, presidente da Associação Mutualista, como arguido em processos-crime.

A assembleia-geral de hoje arranca pelas 21h (hora de Lisboa), no Coliseu de Lisboa.