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€216 milhões + €50 milhões: o que vai mudar (e o que continua adiado) no Metro de Lisboa

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Todo o centro de Lisboa vai ter uma linha circular de Metro – a Linha Verde – que dará a volta à cidade. Em stand by continuam Campo de Ourique e Amoreiras

Carlos Esteves

Carlos Esteves

Infografia

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As duas linhas verde e amarela do Metropolitano de Lisboa vão passar a ser só uma, assumindo a preponderância da cor verde, no que constituirá o principal anel circular do Metro da capital, num percurso que vai do Campo Grande ao Cais do Sodré, implicando a construção de um novo túnel de ligação ao Rato, no qual serão abertas duas estações, na Estrela e em Santos.

O valor deste projeto é da ordem dos 216 milhões de euros, revelou esta segunda-feira a empresa. Também serão compradas mais 33 composições de Metro, num valor estimado em 50 milhões de euros. Tudo será financiado com fundos comunitários e com um empréstimo do Banco Europeu de Investimento (BEI). Este novo investimento permitirá captar mais oito milhões de passageiros para o Metropolitano. Estará pronto no final de 2021.

Numa segunda fase, se for esse o entendimento futuro do Metropolitano e do Governo, poderão ser abertas estações em Campo de Ourique – que ficaria ligada ao prolongamento da linha vermelha desde São Sebastião – e nas Amoreiras. O conjunto do projeto de abertura das duas novas estações da Estrela e de Santos, mais os estudos que apontam para a possibilidade futura de ter eventuais estações em Campo de Ourique e nas Amoreiras, criaram um mal entendido sobre a construção de novas ligações com quatro estações, quando na realidade o projeto atual, efetivo, só contempla duas estações.

Projetos “há muitos e estão sempre a mudar”

"Projetos há muitos, e estão constantemente a mudar de ano para ano", comentou ao Expresso uma fonte conhecedora dos estudos, explicando que "o que vai ser feito, no investimento que vai arrancar agora, é a ligação do Rato ao Cais do Sodré, com estações na Estrela e em Santos, de forma a criar um anel circular no centro de Lisboa, que constituirá toda a linha Verde, que atualmente é composta por parte das linhas Amarela e Verde".

A decisão de avançar neste sentido relaciona-se com o estudo de mercado que concluiu que a estação da estrela cria um fluxo de passageiro maior que a projetada estação de Campo de Ourique. Também é por isso que será feito o desdobramento da linha Verde na estação do Campo Grande, de modo a cnfluir com a linha Amarela. Este conjunto, em anel circular, é que constitui a nova linha Verde.

O Metropolitano de Lisboa anuncia hoje este Plano de Desenvolvimento Operacional da Rede, numa sessão pública presidida pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes e que contou com a participação do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

Foto Tiago Miranda

Operacionalidade do Metro esteve em causa

Num discurso duro, o novo presidente do Metropolitano, Vitor Domingues dos Santos – pouco conhecido no mercado português, porque fez carreira em Espanha -, deixou claro que a situação da empresa até 2017 enfrentou problemas que afetam a sua operacionalidade e a qualidade do serviço prestado.

Os problemas ocorreram desde 2012, ano a partir do qual o Metro de Lisboa teve uma "evolução ziguezagueante" – passando de empresa autónoma, a associada da Carris, integrada no grupo onde estava também a Carris e a Transtejo-Soflusa, para depois ser privatizada e posteriormente voltar a se uma empresa autónoma.

Num percurso "sinuoso" o Metropolitano sofreu sucessivas mudanças de estratégia, e o serviço público prestado degradou-se, com prejuízo dos clientes e consternação dos trabalhadores. Vitor Domingues dos Santos agradeceu aos trabalhadores por, quase milagrosamente, terem conseguido manter o Metro a funcionar, minimizando os impactos negativos da adoção de soluções manifestamente insustentáveis.

20% da frota avariada

Em 2017, 20% da frota do Metropolitano estava indisponível para uso, os armazéns estavam quase vazios, num período em que aumentou a procura dos serviços deste modo de transporte. Nesta altura, um grupo de dirigentes e quadros técnicos do Metropolitano encontravam-se em "regime de mobilidade", ou seja, inativos, e alguns trabalhadores estavam em situação de trabalho precário. Este foi o balanço efetuado pelo presidante da empresa até 2017.

Vitor Domingues dos Santos quer agora melhorar a oferta de material circulante (o que inclui o arranjo e recuperação das composições paradas), para reduzir o tempo de espera entre comboios, quer melhorar as estações, tornando-as mais seguras e com melhores acessos, e quer lançar novos tipos de títulos para novos clientes.

Neste sentido, o Metropolitano terá um sistema de bilhética mais moderno, pretende rentabilizar o seu património, vai centralizar os serviços num único espaço, e vai começar a organizar um Museu.

Foto Tiago Miranda

Mais de meio milhão de passageiros diários

O presidente do Metropolitano revela que a empresa já tranporta mais de meio milhão de passageiros por dia. No primeiro trimestre de 2017 o crescimento acumulado da procura foi de 11%, comparado com o período homólogo de 2016.

O quadro de mobilidade e os precários terminaram, referiu Vitor Domingues dos Santos, e foram admitidos 30 agentes de tráfego, com um reforço imediato de 10 maquinistas. As equipas de manutenção também aguardam a admissão de 22 trabalhadores ao longo de 2017. Até ao fim de maio vai ser iniciada a remodelação da estação de Arroios – que será encerrada ao público a 19 de julho – que ainda não tem comprimento para operar seis carruagens, o que limita a operação na Linha Verde. Em junho será a vez da estação do Areeiro, onde serão instalados elevadores. Até agosto serão colocados elevadores na estação do Colégio Militar. Outras intervenções pontuais serão feitas na Estação dos Olivais e nas escadas rolantes da Baixa Chiado

No primeiro trimestre de 2017 o Metropolitano de Lisboa registou um aumento da procura de exatamente 10,8% e um aumento das receitas de 9% comparativamente ao período homólogo de 2016.

Dois quilómetros de túnel para a Estrela e Santos

Para aumentar a rede do Metropolitano "será construído um túnel com uma extensão de cerca de dois quilómetros até à nova estação da Estrela e desta para a nova estação de Santos. Na última fase da ligação entre Santos e o Cais do Sodré recorrer-se-á a construção a céu aberto", refere a empresa.

A estação da Estrela fica localizada na Calçada da Estrela, junto ao antigo Hospital Militar e em frente à Basílica da Estrela. A estação de Santos vai localizar-se junto ao edifício do Batalhão dos Sapadores de Lisboa.

"Os concursos das empreitadas deverão avançar no segundo semestre de 2018 e o início dos trabalhos iniciar-se-á em 2019, estando prevista a entrada em serviço no final de 2021", refere o Metropolitano.

"Paralelamente a este projeto, foi desenvolvido um estudo de viabilidade para uma ligação pedonal subterrânea, com uma extensão de cerca de 300 metros, que ligará a estação do Rato à Praça Santa Isabel, permitindo o acesso às Amoreiras, zona densamente povoada e com elevado volume de comércio e escritórios, através de escadas e passadeiras mecânicas", informa o Metropolitano.

d.r.

São Sebastião a Campo de Ourique é mero estudo

De igual forma, "o Metropolitano de Lisboa desenvolveu um estudo de viabilidade do prolongamento da linha Vermelha de São Sebastião para Campo de Ourique, onde se prevê a construção de mais de dois quiilómetros de linha, em túnel e a construção de mais de duas estações, Amoreiras (na avenida Conselheiro Fernando de Sousa, junto ao cruzamento com a avenida Engenheiro Duarte Pacheco) e Campo de Ourique (junto à Escola de Saúde Pública Militar, no cruzamento com a Rua Ferreira Borges)", refere a empresa.

Este "possível prolongamento" terá um custo estimado de 186,7 milhões de euros, mas não há qualquer data fixada para esta obra, tal como não há garantias para o seu financiamento.