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Nova bolha imobiliária em Espanha? Ainda não

Depois de quedas de até 40% e mais nos preços das casas, alguns analistas do sector falam de subidas nos preços de 4,7% em 2016

Andrea Comas/Reuters

O solo volta aos poucos a ser negócio. Em 2016 realizaram-se 17.396 operações de compra e venda, 11% mais do que em 2015

Estará a Espanha a viver na antecâmara de uma nova bolha imobiliária? Quase todos os analistas de solvência coincidem em afirmar que não, apesar das considerações contrárias formuladas entre outros por “The Economist” em meados de fevereiro passado. Um estudo conduzido pelo prestigiado semanário alertava nessa altura para o facto de os preços da habitação em Espanha estarem ainda sobrevalorizados em cerca de 16% relativamente ao peso do sector no PIB, aos rendimentos dos espanhóis, à sua capacidade de consumo e ao sector do crédito e de que o sector imobiliário ainda não bateu no fundo. Os especialistas nacionais opinam, pelo contrário, que o que se está a atingir é uma certa posição de normalidade depois de quase dez anos de uma crise brutal que atirou milhões de pessoas para o desemprego, acabou com milhares de empresas de construção e imobiliárias e esteve a ponto de destruir todo o sistema financeiro espanhol, embarcado numa corrida enlouquecedora de créditos dados sem juízo, e cujas consequências ainda se arrastam.

Certo é que todos os dados apontam para uma prudente recuperação do sector, que coincide com a melhoria generalizada da situação económica espanhola, sobretudo nos dados macroeconómicos. Depois de quedas de até 40% e mais nos preços das casas, as empresas especializadas como a Idealista, líder no mercado de vendas a retalho, detetam subidas nos preços de 4,7% em 2016 e de 4,2% em 2015, ao mesmo tempo que sobem as operações de compra e venda: no ano passado venderam-se em Espanha 457.689 casas, quase mais 14% do que ano anterior, ainda que estes números estejam abaixo das transações registadas em 2009 e 2010, em plena bolha. No ano passado, os bancos concederam em média 23.500 hipotecas por mês, muito longe das 50-55 mil mensais atribuídas em 2009/2010 e a anos-luz dos mais de 100 mil créditos hipotecários que se assinavam todos os meses em 2006. No primeiro trimestre deste ano os preços da habitação em segunda mão baixaram em média 2,2%, deixando o preço do metro quadrado no conjunto nacional em €1513.

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