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Maior projeto imobiliário do Porto disputado por cinco investidores

Negócio Fundos nacionais e estrangeiros na corrida pelo Quarteirão Bonjardim, junto ao mercado do Bolhão. Estão previstas 100 casas

Marisa Antunes

Marisa Antunes

(texto)

Jornalista

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

(foto)

Fotojornalista

O Bonjardim City Block, localizado junto à avenida dos Aliados, vai acolher mais de 100 casas, um hotel e lojas nos pisos térreos

O Bonjardim City Block, localizado junto à avenida dos Aliados, vai acolher mais de 100 casas, um hotel e lojas nos pisos térreos

Lucília Monteiro

Cinco investidores (três estrangeiros e dois nacionais) estão a disputar aquele que é considerado atualmente o maior projeto imobiliário da Baixa do Porto, o Quarteirão Bonjardim, junto ao mercado do Bolhão e da Avenida dos Aliados — um extenso lote de terreno com 28.500 m2 de áreas residenciais, comércio e hotelaria (e ainda um parque de estacionamento subterrâneo com 560 lugares). Só casas serão cerca de uma centena.

O prazo para a entrega das candidaturas terminou na semana passada, e prevê-se agora um “período de alguns meses” para a escolha do candidato final, segundo apurou o Expresso junto de fontes do mercado.

Desenvolvido por dois fundos imobiliários geridos pela Interfundos — AF Portfólio Imobiliário e Imopromoção —, do Millennium BCP, este projeto, batizado entretanto de Bonjardim City Block, resultou de uma parceria público-privada entre a Porto Vivo — Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e a sociedade gestora do Millennium.

O Expresso contactou a Interfundos e a JLL, a consultora que está a comercializar em exclusivo o projeto, para obter mais informações, mas até ao fecho desta edição não obtivemos resposta. Apurámos, porém, junto de fontes do mercado, que o valor base do projeto foi fixado em €27 milhões, “cerca de metade do valor que seria obtido em Lisboa, numa situação similar, com uma localização estratégica, uma vez que a Avenida dos Aliados está para o Porto como a Avenida da Liberdade está para Lisboa”, referiu uma das fontes.

Constituído por 23 edifícios (alguns de pequena dimensão), o projeto Bonjardim está localizado no Quarteirão D. João I, onde fica a sede do Millennium BCP, delimitado pelas ruas Sá da Bandeira, Formosa e Bonjardim e pela Travessa do Bonjardim.

Ao estar situado na Baixa do Porto mas já fora do perímetro da área classificada pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade (entre o Palácio das Cardosas e o rio Douro, incluindo a parte da cidade interior ao traçado da antiga muralha fernandina e algumas áreas adjacentes), o conjunto de edifícios não obedece às regras mais apertadas determinadas pela UNESCO. Assim, só as fachadas da Rua Sá da Bandeira obrigatoriamente foram mantidas, devendo ainda a cércea dos prédios não exceder os cinco pisos.

O ‘bolo’ maior da área total dos 28.000 m2 do projeto vai para a habitação, que absorve cerca de 13.000 m2. As lojas ficarão nos pisos térreos (6000 m2), e está ainda previsto um hotel que ocupará 6000 m2 da área total. O empreendimento terá uma praça central de uso público — “maior do que a própria Praça D. João I” —, que interligará o conjunto edificado e possibilitará a mobilidade entre as artérias que circunscrevem a área de intervenção do projeto.

O processo de aquisição dos 23 edifícios terá sido “tranquilo”, segundo adiantou ao Expresso uma fonte, até porque a maioria dos imóveis estava devoluta há mais de uma década.

Dez edifícios transacionados 
por mês na Baixa do Porto

Recorde-se que o projeto terá começado a tomar forma em 2009, altura em que a Porto Vivo — Sociedade de Reabilitação Urbana anunciava publicamente a demolição da maior parte dos edifícios, mantendo apenas algumas das fachadas. “Este quarteirão apresenta desconformidades arquitetónicas e urbanísticas que sugerem uma intervenção com uma forte matriz formal, modernizante, a exemplo do sucedido, em meados do século passado, com a sistematização da Praça D. João I e a construção da frente urbana moderna e de alta qualidade construtiva e arquitetónica daquela praça”, pode ler-se no documento elaborado em 2007 pela SRU que serviu de base ao projeto de reabilitação. As primeiras demolições só avançariam, porém, seis anos depois, em julho de 2015.

Já este ano, em fevereiro, a JLL adiantava em comunicado que o “projeto Bonjardim City Block propõe a construção de cinco novos blocos e a reabilitação de um edifício existente aproveitando as fachadas dos imóveis que existiam na Rua Sá da Bandeira. Está ainda previsto um parque de estacionamento com capacidade para 560 viaturas, a desenvolver em três pisos subterrâneos, que totalizam uma área bruta de construção abaixo do solo de 17.820 m2”.

O centro do Porto tem estado sob grande pressão imobiliária nos últimos anos. Um estudo divulgado recentemente pela Confidencial Imobiliário, empresa especializada em dados do sector, dava conta de que em 2016 tinham sido transacionados 513 imóveis, a uma média de 10 por mês, no centro histórico do Porto, num total de €154 milhões, um volume que apresenta um crescimento de 64% face ao investimento registado no ano anterior.

“Foi o segundo semestre do ano que mais contribuiu para este resultado, com um volume transacionado de €97,2 milhões, o resultado semestral mais elevado desde 2007”, referia-se ainda no estudo.