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Quem quer um palácio por €30 mil?

O Tivoli de Seteais lançou o programa ‘Own a Palace for a Day’

D.R.

Há preços para todas as bolsas para realizar uma festa particular ou uma iniciativa empresarial em grande estilo. Equipamentos privados e monumentos disputam mercado em expansão

Pagar €30 mil para ser dono por um dia de um palácio-hotel como o Tivoli Seteais, em Sintra, ou arrendar os claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, por €50 mil para um banquete são luxos ao dispor de um número crescente de particulares (nacionais e estrangeiros), que estão a reforçar um mercado que até agora era dominado por clientes institucionais.

A rentabilização dos equipamentos, sejam públicos ou privados, está na ordem do dia, e o mercado nacional de clientes do pós-crise acompanha a promoção dos espaços, complementado também pelo interesse crescente que chega do estrangeiro.

Foi o que aconteceu no Hotel Tivoli Palácio de Seteais, que dentro da estratégia do grupo tailandês Minor (que adquiriu a cadeia hoteleira do antigo Grupo Espírito Santo) passou a incluir um programa moldado para os endinheirados clientes do Médio Oriente que frequentam os hotéis do grupo noutras paragens. Mas que está a atrair também clientes portugueses. Por €30 mil por dia, o Palácio de Seteais, com os seus 30 quartos, fica exclusivamente ao dispor de quem o puder pagar.

“Lançámos no final do ano passado o programa ‘Own a Palace for a Day’ aqui em Seteais, seguindo uma tendência que é mundial. Há uma classe alta dominada por árabes e russos que antigamente já revelavam alguma extravagância ao bloquear um ou dois pisos inteiros do hotel para as suas festas privadas mas que agora arrendam todo o espaço”, conta Mário Custódio, diretor do Tivoli Palácio de Seteais. Entre os hotéis do grupo tailandês com maior procura para este registo mais exclusivo estão as unidades da marca Anantara nas Maldivas (onde tem quatro resorts) e o hotel no deserto de Abu Dhabi, que frequentemente é arrendado por inteiro, um preço a pagar para contornar certas restrições impostas pelos costumes árabes ao nível do consumo de álcool, por exemplo, ou da liberdade de as mulheres agirem de forma natural.

Curiosamente, e apesar de feito à medida para estes mercados mais longínquos, têm sido os portugueses os maiores clientes. “Foi um bocado inesperado, mas estamos a ter uma boa recetividade por parte da procura interna”, confirma o diretor. Este ano, o palácio oitocentista já foi arrendado oito vezes, todas elas a nacionais, para festas privadas.

Pavilhão Carlos Lopes acolhe banquetes de 1800 pessoas

Pavilhão Carlos Lopes acolhe banquetes de 1800 pessoas

Marcos Borga

Em alta está também o Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, reabilitado e reinaugurado em finais de fevereiro deste ano, 14 anos após ter sido encerrado por mau estado do edifício.

Com uma área total a rondar os 2700 m2 — entre a sala multiusos (a maior de todas com 1900 m2), o salão nobre e a Sala dos Azulejos —, o pavilhão pode ter uso exclusivo por um valor máximo de €10 mil por dia.

E procura, por parte de empresas e entidades institucionais, não tem faltado, com seis eventos em apenas um mês (no mês de abertura esteve vedado a eventos e com os espaços todos abertos ao público).

“Neste momento já temos cerca de 20 reservas até ao final do ano”, adianta Paula Oliveira, diretora executiva do Turismo de Lisboa, entidade gestora do espaço, referindo que o acesso ao metro, a proximidade a pé de vários hotéis (que evita o dispêndio em transfers) e a envolvente verde do Parque Eduardo VII estão a pesar muito na escolha das empresas.

Por cerca de metade do preço, mas com uma área mais reduzida, fica-se com o direito exclusivo ao Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, também sob a alçada do Turismo de Lisboa. Neste espaço (com a Sala de Risco incluída) cabem 1200 pessoas num banquete, por exemplo (a sala multiusos do Pavilhão Carlos Lopes acolhe 1800 para o mesmo).

“Em 2016, o Pátio da Galé recebeu 69 eventos. Este ano já foram realizados 18, com 37 já confirmados para os próximos meses. O turismo está em crescendo e tudo cresce em paralelo. E este boom no turismo não se restringe ao lazer mas cada vez mais ao turismo de negócios”, enfatiza Paula Oliveira.

Jerónimos é o mais caro

Inaugurada há um ano, a Cidade do Futebol, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), perto do Jamor, em Oeiras, abarca também eventos mais reservados ou de grande escala (tem 15 salas no total, mais os relvados dos campos de futebol). Os preços variam entre os €500 (para a sala mais pequena) e os €20 mil (para espaços interiores e relvados).

“Desde julho de 2016 que já foram realizados na Cidade do Futebol 306 eventos (não desportivos) entre jantares de Natal para empresas, congressos farmacêuticos, apresentação de novas marcas de carros ou reuniões de quadros de empresas”, conta Cláudia Poças, diretora adjunta da Cidade do Futebol, acrescentando que até os balneários da Seleção são procurados para ações de liderança e motivação de empresas que querem “sentir o ambiente da casa dos campeões” do Euro-2016.

Até os balneários da Seleção são requisitados na Cidade do Futebol

Até os balneários da Seleção são requisitados na Cidade do Futebol

Na Invicta, um dos espaços emblemáticos para realizar eventos é o Palácio da Bolsa, sede e propriedade da Câmara de Comércio e Indústria do Porto, que recebe anualmente mais de 200 mil visitantes.

O edifício tem cerca de uma dezena de imponentes espaços para acolher festas e cerimónias, com capacidade para diferentes escalas. Desde a Sala dos Jurados para um evento intimista para um máximo de 22 pessoas até ao Pátio das Nações, o maior dos espaços, que acolhe até 700 pessoas, segundo se pode ler no portal da Associação Comercial do Porto.

De norte a sul, os monumentos públicos são muito solicitados para estas iniciativas. O Mosteiro dos Jerónimos é o mais concorrido, apesar de ser o mais caro entre os 23 museus e monumentos sob a alçada da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC): um jantar nos claustros para o máximo de 1000 pessoas sentadas pode custar €49.200.

Paula Silva, diretora desta entidade, revela que “o arrendamento destes espaços é uma atividade rentável e serve também para a sua divulgação”. Tanto assim é que em 2016, segundo a DGPC, a receita total foi de aproximadamente €420 mil, oriundos de perto de 160 eventos, entre conferências, cocktails, jantares, festas de Natal e de aniversário, entrega de prémios, lançamento de produtos, sessões fotográficas, filmagens, audições e reuniões de empresas. “Foram pedidos maioritariamente por empresas, os particulares recorrem pouco a esta opção”, salienta Paula Silva.

Claustros dos Jerónimos custam €50 mil por banquete

Claustros dos Jerónimos custam €50 mil por banquete

Alberto Frias

Só o Mosteiro dos Jerónimos representou €160 mil desse total, tendo sido o imóvel que deu maior lucro. Em segundo lugar ficou o Palácio Nacional da Ajuda com €125 mil. Arrendar a Sala dos Archeiros deste palácio para um jantar de 180 pessoas sentadas custa €9225. Na Torre de Belém, na Sala do Baluarte e para 80 pessoas sentadas, o valor a pagar é idêntico.

No Porto, no Museu Nacional Soares dos Reis, ocupar o picadeiro para um jantar com 500 pessoas custa €1230. O mesmo espaço, mas para um evento cultural, fica em €922,50.

Há espaços que parecem estar em saldo. No Museu Monográfico de Conímbriga, por exemplo, por apenas €61,50 pode ser ocupada a sala de formação ou o laboratório, para eventos culturais e académicos.

De referir que iniciativas de índole política ou sindical estão vedadas e que cabe sempre à DGPC autorizar ou não a realização de determinado evento. As cerimónias protocolares, eventos socioculturais e outros relacionados com o funcionamento ou competências da Presidência e da Assembleia da República e do Governo estão isentos de pagamento.