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Onda verde na Zona Euro. Maré vermelha em Moscovo, Xangai e São Paulo

Bolsas europeias lideraram subidas mundiais da semana com ganhos de 1,8%. Exuberância em Wall Street em máximo de 15 anos. PSI 20 em Lisboa entre os melhores da semana, com subida de mais de 4%

Jorge Nascimento Rodrigues

Oito bolsas da zona euro fecharam com ganhos semanais acima de 3%. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 4,4% nesta primeira semana de maio e em Atenas, que liderou, o índice geral subiu 5,9% no mesmo período.

O índice Euroxtoxx 50, das cinquenta principais cotadas da zona euro, registou um ganho semanal de 2,7%. O índice MSCI para o conjunto das bolsas europeias liderou as subidas mundiais na semana, com um ganho de 1,8%, face a um avanço de 0,4% para o índice mundial.

Em Wall Street, o índice S&P 500 renovou novo máximo histórico, fechando na sexta-feira próximo dos 2400 pontos. No conjunto dos índices bolsistas de Nova Iorque, a valorização semanal foi de 0,15%, segundo o índice MSCI para os Estados Unidos. O índice MSCI para a Ásia Pacífico registou um ganho semanal de 0,14% e o índice bolsista para o conjunto dos mercados emergentes avançou 0,22%.

Contudo, nos mercados emergentes, entre os BRIC, apenas a Índia registou um ganho semanal dos seus índices bolsistas de Mumbai com uma subida de 0,7%. Uma maré vermelha marcou os índices MSCI para Moscovo, com perdas de 3,2%, China (bolsas de Xangai e Shenzhen) com um recuo de 0,6%, e São Paulo com uma descida de 0,19%.

Exuberância em máximo de quinze anos

A exuberância bolsista em Wall Street atingiu no fecho da primeira semana de maio um multiplicador de 29,48, segundo os dados para o rácio CAPE do Nobel Robert Shiller. É o multiplicador mais elevado desde março de 2002. A média histórica, desde 1881, é de 16,8.

O CAPE - Cyclically Adjusted Price Earnings Ratio, em inglês - é uma medida de valorização da empresa cotada que avalia a relação entre a cotação e os resultados médios por ação dos últimos 10 anos (ajustados pela inflação), indicando se a empresa está “cara” (multiplicador elevado) ou “barata” (multiplicador baixo). O rácio toma por base o índice bolsista S&P 500.

O multiplicador atual está acima do máximo registado durante a última bolha financeira do subprime em maio de 2007 (quando o rácio subiu para 27,55), mas abaixo do pico de 32,56 em setembro de 1929 antes da derrocada financeira em final de outubro em Wall Street.

O máximo histórico deste multiplicador foi registado em dezembro de 1999, no auge da bolha das dot.com, quando chegou a 44,20.

Depois da derrocada financeira de 2008, o rácio atingiu um mínimo de 13,32 em março de 2009.

Semana em revista: Otimismo na Europa e EUA, risco na China e queda dos preços de matérias-primas

Na Europa permanecem o efeito Macron – com as sondagens a darem uma vitória folgada a este candidato pró-euro na segunda volta das eleições presidenciais de amanhã – e a garantia dada, particularmente aos países periféricos e do centro da zona euro mais vulneráveis, pela estabilidade da política monetária expansionista do Banco Central Europeu, reafirmada na última reunião a 27 de abril.

Nos EUA, a reunião da Reserva Federal concluída na quinta-feira adiou para 14 de junho uma eventual decisão sobre uma nova subida das taxas de juro, com os mercados de futuros a apontarem para uma probabilidade de 78,5% nesse sentido. Os banqueiros centrais tranquilizaram os investidores considerando que a desaceleração económica muito significativa do primeiro trimestre do ano é “transitória”.

O otimismo norte-americano foi reforçado depois da taxa de desemprego ter caído no final de abril para 4,4%, um mínimo desde maio de 2001 e numa situação que muitos economistas consideram de pleno emprego. O presidente da Reserva Federal de São Francisco, John Williams, declarou inclusive que a economia norte-americana “está a operar acima do seu potencial” e “em situação de pleno emprego, ou, talvez, mesmo, um pouco além”.

Na China, os mercados tremeram com a orientação clara do poder monetário e político em Pequim para diminuir o risco financeiro sistémico. O responsável pelo departamento de investigação do Banco Popular da China, o banco central, avisou, esta semana, que a economia tem de começar um processo de desalavancagem “num ritmo adequado”. Xu Zhong afirmou que “apesar do nível global de alavancagem não ser excessivo, está em crescimento a um ritmo alarmante, especialmente no sector financeiro”.

Nos mercados de commodities foi semana de baixas, o que afetou as economias emergentes dependentes dos ciclos das matérias primas. Os preços caíram em 21 matérias primas e subiram em 11 durante a semana. As maiores quedas semanais registaram-se para o concentrado de sumo de laranja e para a carne bovina, com um recuo dos preços superior a 7%. O preço do barril de petróleo de Brent recuou 4,5%. No entanto, no fechar da semana, os preços subiram 2%, depois da Arábia Saudita ter garantido que a Rússia está pronta para se juntar à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) no sentido de ampliar os cortes na oferta mundial do ouro negro, de modo a tentar puxar os preços para valores acima de 50 dólares. O preço do Brent abriu o ano em 55 dólares e fechou na sexta-feira em 49,43.