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Juros descem para mínimo de quase 7 meses. 'Teste' na próxima semana

Os juros da dívida a 10 anos fecharam a semana em 3,4% no mercado secundário e o prémio de risco está abaixo de 300 pontos. IGCP anuncia para a próxima quarta-feira primeiro leilão daquela linha de obrigações que lançou em janeiro. Moody's não procedeu a qualquer atualização do rating do país

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos caíram esta sexta-feira para mínimos de quase sete meses. Fecharam no mercado secundário em 3,4%, uma descida de 18 pontos base em relação ao encerramento do mês anterior.

Esta linha de OT com vencimento em abril de 2027 foi lançada em janeiro pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) através de uma operação de sindicação em que o Estado pagou uma taxa de colocação de 4,227%. Desde então passou a ser a referência no prazo a 10 anos.

O IGCP anunciou esta sexta-feira que vai levar, pela primeira vez, a leilão esta nova linha de OT na próxima quarta-feira, 10 de maio. É o primeiro 'teste' através de um leilão da nova referência a 10 anos que, depois de uma subida das yields no mercado secundário até um pico em meados de março, iniciou uma trajetória de descida. O Tesouro português realizará, também, na mesma altura, um outro leilão de dívida a 5 anos.

Neste momento, as três linhas obrigacionistas portuguesas de longo prazo, a 10, 15 e 20 anos, registam yields abaixo de 4%, um nível que era tido, no início do ano, como o 'novo normal'.

A agência de notação Moody's não procedeu esta sexta-feira a qualquer atualização do rating do país. A última revisão foi comunicada em janeiro, mantendo a notação em nível especulativo de Ba1, vulgo 'lixo financeiro', com perspetiva estável.

Prémio de risco português abaixo de 300 pontos

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu para 297 pontos base, pela primeira vez abaixo de 300 pontos desde 1 de junho de 2016. Esse prémio significa que o custo de financiamento da dívida portuguesa a 10 anos está quase 3 pontos percentuais acima do custo da dívida alemã naquele prazo.

Em relação ao final do mês passado, o prémio recuou 29 pontos base, a segunda maior descida depois da queda no prémio da dívida grega. A terceira maior descida no prémio registou-se para a dívida italiana, que baixou de 199 pontos base no final de abril para 175 no fecho desta sexta-feira.

Em termos de rentabilidade do conjunto da dívida obrigacionista, avaliada pela evolução do seu índice desde início do ano, Grécia e Portugal lideram destacadamente com retornos positivos face a uma média no vermelho para o conjunto da zona euro. Esta sexta-feira, a rentabilidade era de 13,08% para a Grécia e 4,49% para Portugal, segundo os índices da Bloomberg para a dívida soberana. A média na zona euro mantinha-se negativa, em -0,84%. Itália lidera no vermelho, com um retorno de -1,15%.

O índice da Bloomberg para a dívida obrigacionista portuguesa abrange 15 linhas com uma vida média de 7,3 anos e uma yield até à maturidade de 2,03%. Uma linha de OT lançada em 2007 vence em outubro próximo.

Stresse sobre dívidas de França e Grécia reduz-se

O prémio da dívida francesa caiu 9 pontos base, de 45 para 36 no período referido. Os investidores na dívida não encaram a possibilidade de uma surpresa nas urnas em França que se materializaria com uma vitória de Marine Le Pen, a candidata presidencial favorável a um Frexit (saída do euro e da União Europeia), na segunda volta que se realiza no domingo.

As yields da dívida grega no prazo de referência acabaram por fechar a semana abaixo de 6% e o prémio de risco encerrou em menos de 550 pontos base.

A tendência de queda do custo da dívida helénica acentuou-se esta semana depois de ter sido anunciado que a equipa do ministro das Finanças grego e os credores oficiais chegaram a um acordo sobre um rascunho de dois novos memorandos que seguirão para apreciação no próximo Eurogrupo e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Uma reunião extraordinária do Grupo de Trabalho do Eurogrupo realizada na quinta-feira deu luz verde à continuação do processo que tem como duas datas-chave a votação a 16 ou 17 de maio no Parlamento grego do documento do governo de Alexis Tsipras de estratégia orçamental de médio prazo para 2018-2021 e a aprovação do novo memorando pelos ministros das Finanças da zona euro na reunião de 22 de maio, ou o mais tardar no encontro seguinte a 15 de junho.

Schäuble reafirma intransigência sobre dívida grega

No entanto, permanece um tema pendente, o das medidas concretas de médio prazo de reestruturação ou reescalonamento dos empréstimos europeus à Grécia, em que o FMI faz finca pé para poder dar o sim ao seu envolvimento financeiro no terceiro resgate. Uma fonte da reunião do Grupo de Trabalho do Eurogrupo confirmou ao jornal grego Kathimerini que essa discussão ainda não se realizou.

Um avanço nesse dossiê poderá ser dado no decurso das conversações entre Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, e Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, à margem da reunião do G7 entre 11 e 13 de maio em Bari, na Itália.

Entretanto,um comunicado daquele Ministério alemão afirmou esta sexta-feira que "nenhum alívio de dívida está a ser preparado", depois do jornal de negócios germânico Handelsblatt ter noticiado que já estavam a ser discutidas medidas concretas. "No que diz respeito a possíveis medidas de alívio de dívida, chegámos a um acordo claro na declaração do Eurogrupo de maio de 2016. De acordo com isso, após a plena implementação do programa de ajustamento [que se conclui no próximp ano], haverá uma avaliação se as medidas de alívio de dívida são necessárias", concluiu o comunicado.