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Investidores otimistas com dívida de Portugal, diz o “Financial Times”

Tiago Miranda

“O maior risco ficou para trás (...), a dinâmica macroeconómica está a melhorar, o Governo está muito empenhado em reduzir o défice, o sistema bancário está a resolver os seus problemas”, justifica uma gestora de ativos citada pelo jornal britânico

"Quando o prémio de risco dos juros portugueses atingiu máximos de um ano face à dívida alemã, em fevereiro, Fanny Jacquemont decidiu que era o momento de comprar". É assim que o jornal "Financial Times" começa um artigo sobre o otimismo de investidores internacionais quanto ao retorno dos seus investimentos em obrigações portuguesas.

"O maior risco ficou para trás (...), a dinâmica macroeconómica está a melhorar, o Governo está muito empenhado em reduzir o défice, o sistema bancário está a resolver os seus problemas", justifica a gestora de ativos do fundo francês CPR Asset Management SA, citada pelo jornal britânico.

E Fanny Jacquemont não é a única a olhar para o retorno da dívida portuguesa com otimismo, sublinha o jornal. Philip Brown, especialista em dívida pública do Citi Bank, também está atento ao facto de a dívida portuguesa ser a única da zona euro com retorno este ano (3,9%) e vê, aqui, "um potencial de subida enorme". "Podemos ver facilmente uma redução de mais 100 pontos base do spread sem aumentar as avaliações", prevê.

O artigo, assinado por Kate Allen, refere que as taxas de juro implícitas na dívida portuguesa têm vindo a aliviar depois das subidas registadas no final de 2015, quando o PS chegou ao Governo e assumiu "um programa antiausteridade" com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda, que deixou os investidores receosos sobre a política económica e a estabilidade do país.

No entanto, diz o jornal, o primeiro-ministro António Costa "mostrou estar comprometido com as metas orçamentais acordadas com os credores internacionais e, aos mesmo tempo, os indicadores económicos sugerem que as perspetivas económicas se estão a tornar mais risonhas desde o início de 2017", com o défice a descer para o valor mais baixo dos últimos 40 anos, a economia a crescer há 13 trimestres consecutivos e o desemprego a atingir, em março, o valor mais baixo desde 2009.

Sem esquecer os riscos ainda existentes, o artigo refere fatores internos e externos a que é preciso estar atento, do sector bancário ao rating de lixo atribuído por três agências de notação financeira e às ameças à instabilidade política da Europa. É um cenário que leva John Stopford, da Investec Asset Management, a admitir que não é possível "estar confortável com uma exposição significativa" ao país.

No entanto, Richard Gustard, do JP Morgan, opta por dar mais uma nota de otimismo, defendendo que Portugal pode "sofrer menos do que outros países periféricos" no caso do Banco Central Europeu vir a retirar alguns dos seus estímulos à economia". "Portugal é um caso singular" e "um ativo atraente num ambiente de risco", comenta.

  • Os juros das obrigações a 10, 15 e 20 anos registam na sessão da manhã desta quinta-feira níveis inferiores a 4% no mercado secundário. As taxas estão em mínimos desde setembro ou outubro do ano passado. Juros da dívida grega a 10 anos abaixo de 6%, pela primeira vez desde agosto de 2014