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Mercados financeiros não esperam surpresas da reunião da Fed

O comité de política monetária do banco central dos Estados Unidos termina esta quarta-feira a sua primeira reunião depois dos primeiros 100 dias da Administração Trump e do secretário do Tesouro ter anunciado o plano de cortes de impostos

Jorge Nascimento Rodrigues

Os mercados financeiros não esperam esta quarta-feira nenhuma mexida na política monetária da Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, no final da reunião do seu Comité de Operações de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).

O comunicado com os resultados da reunião iniciada ontem deverá ser divulgado pelas 19 horas (hora de Portugal), não se seguindo uma conferência de imprensa por parte da presidente Janet Yellen.

Trata-se da primeira reunião do Comité após a conclusão dos primeiros 100 dias da Administração Trump e após o secretário do Tesouro Steven Mnuchin ter divulgado o plano de reforma tributária e sublinhado à margem da assembleia do Fundo Monetário Internacional que os EUA vão optar por uma gestão do comércio internacional baseada na “reciprocidade”.

O mercado de futuros das taxas de juro da Fed aponta para uma probabilidade de 95% em que não haverá qualquer mudança na taxa de juro de referência que se situa entre 0,75% e 1% desde março deste ano. Uma nova subida de 25 pontos base (um quarto de ponto percentual) poderá ocorrer na reunião de 13 e 14 de junho, uma previsão que recolhe 67,4% de probabilidades segundo o FedWatch do grupo CME.

Apesar da desaceleração acentuada do crescimento do Produto Interno Bruto norte-americano no primeiro trimestre de 2017 e da turbulência política que envolve a própria Administração Trump e dos riscos políticos na Europa e geopolíticos na Ásia, os mercados financeiros norte-americanos atingiram um mínimo de mais de 10 anos no índice de volatilidade - conhecido como indicador de medo financeiro - associado ao índice S&P 500 de Wall Street. O índice de volatilidade (VIX) registou na sessão de terça-feira 10,15, um mínimo de mais de 10 anos. O pico de 2017, até à data, registou-se a 17 de abril, com o VIX a subir para 16,19. Está muito abaixo da média histórica de 20.

Ao mesmo tempo, o clima de ‘bolha’ em Wall Street não tem parado de dar sinais. O rácio entre o preço das ações e os ganhos subiu para 29,19 em abril, um multiplicador superior ao registado 12 meses antes (25,92) e dois anos antes (26,79). Está acima do rácio verificado no pico da bolha do subprime em maio de 2007 (27,55), mas ainda muito abaixo do multiplicador registado no pico da bolha das dot-com em dezembro de 1999, quando chegou a 44,2.