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Estudo do Banco de Portugal conclui que política do BCE reduziu desigualdade

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu

ARMANDO BABANI / EPA

Estudo publicado pelo Banco de Portugal conclui que medidas de estímulo monetário de Frankfurt nos últimos anos aproximaram níveis de riqueza das famílias portuguesas. Subida dos preços das casas e redução dos custos com crédito à habitação são os canais com maior impacto na redução da desigualdade

A política expansionista do Banco Central Europeu (BCE) contribui para reduzir a desigualdade em Portugal. É a conclusão do estudo “Mecanismos distributivos da política monetária na economia portuguesa” do Departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal (BdP) publicado hoje como tema em destaque do Boletim Económico. “Olhados como um todo, os resultados descrevem a política monetária como um instrumento que influencia não só o estado geral da economia, mas também a evolução cíclica da desigualdade, através de vários canais”, lê-se no documento. Os economistas do BdP analisaram os vários canais de transmissão da política monetária - como o preço dos ativos (imóveis e ativos financeiros), a rentabilidade de negócios por conta própria, os depósitos bancários, o custo do crédito e o rendimentos do trabalho – e concluíram que são as famílias de rendimentos mais baixos que mais beneficiaram da política de Frankfurt.

Uma das críticas, entre várias outras, às opções do BCE nos últimos anos tem sido precisamente a possibilidade desta política expansionista poder beneficiar as camadas de rendimento mais elevado da população, nomeadamente através da valorização de ativos financeiros como ações ou obrigações. O estudo agora publicado pelo BdP aponta para resultados em sentido contrário, embora não analise os 0,01% de rendimento mais elevado. Nem sequer os 0,1% ou mesmo os 1% que são, normalmente, os mais visados nesta crítica.

O estudo divide as famílias em quintis – fatias de 20% - com base naquilo a que chama “riqueza em sentido lato” (que inclui fatores relacionados com a riqueza humana) e na riqueza líquida, que mede o valor patrimonial das famílias (com base em dados de 2010). Como explica o documento: “Por um lado, tem-se a riqueza líquida (ou riqueza não humana) que cada família possui quando entra no período em causa, que resulta da diferença entre os seus ativos e as suas responsabilidades. (…) Por outro lado, existe a chamada riqueza humana, ou seja, a soma dos rendimentos presentes e futuros resultantes das decisões de utilização do tempo das famílias no mercado de trabalho”.

0 estudo conclui que o efeito na redução dos custos do crédito à habitação e a valorização dos preços dos imóveis – que representam a maior fatia dos ativos – são os canais de transmissão da política monetária com maior impacto na redução da desigualdade. Igualmente em sentido positivo vão as descidas das taxas de juro dos depósitos e do crédito ao consumo, bem como o impacto no mercado de trabalho. Apenas a valorização das empresas que resulta dos estímulos monetários do BCE tende a agravar a desigualdade.

No global, calculam os autores, a desigualdade diminui, quer se use a riqueza líquida ou a riqueza em sentido lato. Na riqueza líquida, o rácio entre o quinto quintil e o primeiro quintil diminui de 412,8 vezes para 106,4 vezes e, na riqueza em sentido lado, de 11,86 vezes para 11,83 vezes.