Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco de Portugal diz que economia “tem revelado uma notável capacidade de ajustamento macroeconómico”

Na análise ao desempenho da economia portuguesa em 2016, o banco central deixa, no entanto, alguns avisos sobre a necessidade de mais investimento, qualificação dos trabalhadores, estabilidade financeira e previsibilidade legislativa.

O Banco de Portugal (BdP) considera que a “economia portuguesa tem revelado uma notável capacidade de ajustamento macroeconómico e uma reestruturação setorial assente numa dinâmica de internacionalização das empresas”. No Boletim Económico hoje divulgado, onde apresenta uma análise detalhada ao desempenho da economia nacional em 2016 e não tem novas previsões já que as últimas foram apresentadas recentemente, destaca a “a forte aceleração” do PIB no segundo semestre mas sublinha que o crescimento conseguido em 2016 – 1,4% - é um “crescimento moderado”.

E deixa avisos para o futuro: “A continuação do crescimento económico e o aumento do bem-estar dos cidadãos exigem, contudo, o reforço do investimento produtivo das empresas e a disponibilidade de recursos humanos qualificados, num quadro de estabilidade financeira e de previsibilidade legislativa, sem comprometer o equilíbrio das contas externas. As baixas taxas de poupança, o elevado endividamento dos agentes económicos, a evolução demográfica desfavorável e a incerteza do quadro internacional requerem, por isso, uma abordagem prospetiva e coerente das políticas económicas.”

O Banco de Portugal analisou, entre outras coisas, as condições de financiamento da economia portuguesa que continuou com excedentes externos pelo quarto ano consecutivo – onde se destaca a balança de serviços e o papel do turismo cujas exportações voltaram a crescer acima de 10% -, o que permitiu uma melhoria da posição de investimento internacional (uma medida similar à dívida externa) que, no entanto, continua em valores elevados.

O documento avalia também o erro de previsão do PIB que o BdP cometeu no ano passado. Em março de 2016, quando já tinha disponibilizada “pela primeira vez informação completa para 2015”, estimou um crescimento de 1,5% que acabou por falhar o alvo por uma décima de ponto percentual. Nessa altura, no cenário macroeconómico usado no Orçamento do Estado para 2016, o governo contava com um crescimento de 1,8%. O banco central subestimou o crescimento do consumo privado, das exportações e das importações, ao passo que sobreestimou o andamento do investimento e do consumo público.