Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco central dos EUA não altera taxas de juro

Na reunião que terminou esta quarta-feira, o comité de política monetária da Reserva Federal norte-americana não encontrou razões para proceder a nova subida nas taxas de juro

Jorge Nascimento Rodrigues

O banco central norte-americano decidiu não alterar a politica monetária na reunião que terminou esta quarta-feira. As taxas de juro não foram mexidas, mantendo-se no intervalo entre 0,75% e 1% decidido na reunião de março. A decisão foi tomada por unanimidade no comité de política monetária formado por nove membros e presidido por Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal (Fed), e esteve em sintonia com o que era esperado pelos analistas.

A conjuntura económica norte-americana não justificou, ainda, uma nova subida das taxas de juro com base na informação recolhida desde a reunião de março do Comité de Operações de Mercado Aberto do sistema da Reserva Federal (Federal Open Market Committee, na designação em inglês).

A atividade económica abrandou significativamente nos Estados Unidos no primeiro trimestre (de 2,1% no quatro trimestre de 2016 para 0,7% na primeira estimativa para os primeiros três meses de 2017) e a taxa de inflação desceu de 2,7% em fevereiro para 2,4% em março, com a inflação subjacente (excluindo as componentes mais voláteis do índice de preços) a descer inclusive para 2% no último mês do primeiro trimestre (depois de ter registado 2,3% em janeiro e 2,2% em fevereiro), apesar do mercado laboral continuar a fortalecer-se, refere o comunicado divulgado esta quarta-feira.

Desaceleração económica é transitória

Os membros do Comité acham que a desaceleração do crescimento económico durante o primeiro trimestre é “transitória” e que os riscos estão “grosso modo equilibrados”, pelo que “esperam que as condições económicas evoluam de uma maneira que justifique aumentos graduais na taxa de juro federal”. A Fed reafirma que esta taxa “deverá permanecer, por algum tempo, abaixo dos níveis que se prevê que prevalecerão a longo prazo”. Em suma, a política monetária vai permanecer “acomodatícia”.

A Fed continuará a “monitorizar, de perto, os indicadores de inflação e os desenvolvimentos económicos e financeiros globais”.

Após a divulgação da decisão da Fed, a probabilidade de um aumento das taxas de juro na próxima reunião de 13 e 14 de junho subiu de 67,4%, para 71,6%, segundo o FedWatch do grupo CME. Na próxima reunião, o banco central norte-americano divulga as suas previsões económicas e a sua presidente dará uma conferência de imprensa.

Os analistas vão virar, agora, a atenção para cinco intervenções públicas que membros da Fed vão proferir na sexta-feira, incluindo a presidente Yellen, e ainda uma outra no sábado.

O ex-presidente da Fed, Ben Bernanke, disse esta quarta-feira em entrevista à Bloomberg que seria “razoável” da parte da Administração Trump “reconduzir" Janet Yellen no cargo de presidente do banco central.