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CGD encerra agência de Almeida

O banco estatal garante que vai continuar a assegurar “a prestação de serviços aos clientes” e servirá os habitantes do concelho de Almeida através da sua agência de Vilar Formoso

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) disse esta terça-feira que, apesar de continuar disponível para encontrar soluções para servir a população do concelho de Almeida, a ocupação da agência levou ao cancelamento da reunião com as autoridades locais.

"A Caixa Geral de Depósitos continuará a servir os cidadãos do concelho de Almeida e está disponível para encontrar, em articulação com as autoridades locais, a melhor forma de servir a população", lê-se num comunicado divulgado pelo banco público.

"No entanto, face à ocupação da agência, mais uma vez, esta terça-feira, deixou de fazer sentido realizar qualquer reunião com aqueles responsáveis, porquanto essa situação configura uma forma de pressão reiterada, não legítima e imprópria de um Estado de Direito", salienta a CGD.

O banco estatal adianta que, durante as últimas semanas, manteve "contactos e reuniões com as autoridades locais, à semelhança de outras autarquias, no sentido de se encontrar uma solução de manter serviços da instituição na sede de concelho e que passariam nomeadamente por, num período de transição, a Caixa assegurar a permanência de colaboradores no balcão de Almeida", realçando: "A Caixa cumpriu a sua parte. Mas recusa aproveitamentos políticos de qualquer ordem".

Segundo a CGD, "depois de cinco anos consecutivos de prejuízos e diminuição de atividade comercial e com um nível de movimentos de tesouraria muito abaixo da média na agência de Almeida", o banco vai continuar a assegurar "a prestação de serviços aos clientes e continuará presente no concelho de Almeida através da sua agência de Vilar Formoso, assegurando deste modo a presença em todos os concelhos em que vinha atuando".

O banco estatal admitiu que "no futuro, e em articulação com a Câmara Municipal, poderia ser criado um acompanhamento aos clientes da Caixa nas instalações do município ou Junta de Freguesia, assegurando que estes não fiquem sem serviços", revelando que 66% do movimento balcão de Almeida são atualizações de cadernetas e consultas.

"Face à necessidade de reorganização e otimização da sua rede de balcões e compromissos internacionais firmados, a Caixa Geral de Depósitos está a reformular os seus canais, através da criação de postos de atendimento, do aumento progressivo da automação da generalidade dos procedimentos bancários básicos como depósitos e levantamentos, bem como do reforço da figura do gestor de cliente", justificou a CGD.

Segundo o banco público, "esta aposta da Caixa traduziu-se, no final de abril, num aumento de cerca de 30% dos clientes com acompanhamento de um gestor de cliente dedicado, nas áreas onde a Caixa está a reformular a sua presença, face à situação anterior", acrescentando que as vantagens da adesão aos serviços Caixadirecta, que permite um contato 24 horas por dia com a Caixa, através de telefone e da Internet.

"A Caixa disponibiliza zonas de 'self-banking', acompanhamento personalizado, e acompanhamento em fase transitória, de forma a salvaguardar e esclarecer os clientes mais vulneráveis e com menor literacia financeira", destacou, garantindo: "Ninguém em Almeida fica sem serviços da Caixa, não obstante a presença de outra instituição financeira na localidade".

O presidente e o vice-presidente da Câmara de Almeida deslocaram-se esta terça-feira a Lisboa para uma reunião com a administração da CGD, mas o encontro não aconteceu e a população mantém o protesto.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Almeida, Alberto Morgado, disse à Lusa que estava marcada uma reunião com a administração da CGD para as 18h, que não aconteceu porque só se realizaria se a população abandonasse as instalações do balcão em Almeida, Guarda, que ocupa pacificamente desde as 14h30.

"Não houve reunião com a administração, houve com o diretor central", disse o autarca, adiantando que os administradores "puseram exigências relativamente à saída da população da CGD [de Almeida], mas isto não tem nada a ver com a Câmara Municipal, [e] o senhor presidente, naturalmente, que não tinha condições para fazer uma coisa dessas", contou, alegando tratar-se de uma manifestação "espontânea", que não foi organizada pela autarquia.

Entretanto, segundo Alberto Morgado, o presidente da Câmara, "exigiu que lhe fosse garantido" que os serviços de tesouraria continuariam na agência de Almeida.

"E eles [CGD] como também não garantiram isso previamente, acabou por não haver reunião, lamentavelmente", rematou o vice-presidente.

Após a reunião, Alberto Morgado disse à Lusa que ele e o presidente da autarquia, António Batista Ribeiro, se deslocariam para Almeida onde, à chegada, tencionavam "reunir com as pessoas" que participam no protesto pacífico.