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Vinhos portugueses brindam aos EUA

A conquista da América “é uma bandeira” do sector, diz Jorge Monteiro

Rui Duarte Silva

A América já é o primeiro destino dos vinhos tranquilos lusos. E no preço médio, Portugal bate Espanha

Depois de sofrer uma quebra de 1,1% na exportação, para os €726,9 milhões, o sector do vinho ainda tem razões para ver o copo meio cheio? Jorge Monteiro, presidente da Viniportugal, acredita que sim. “Perdemos €40 milhões nas vendas para Angola e, mesmo assim, fechámos 2016 a cair apenas €8 milhões face ao período homólogo, o que significa que recuperámos €32 milhões noutros mercados”, afirma o dirigente da associação interprofissional do sector vitivinícola responsável pela promoção dos vinhos portugueses.

Quando olha para os números de 2016, vê a fileira do vinho a cair em valor, em volume (-0,9%), para os 2,76 milhões de hectolitros, e no preço médio (-0,1%), para os €2,62, mas vê “vitalidade, capacidade de resiliência e de conquista de espaço noutros mercados”.

Mantém, por isso, o otimismo, até porque “há um reflexo deste quadro que podemos transformar numa bandeira: “Os EUA são hoje, pela primeira vez, o primeiro mercado de destino dos vinhos tranquilos portugueses”, diz Jorge Monteiro, certo de que estes €40 milhões em vendas são “um bom cartão de visita”. Serão, também, um prémio ao esforço de promoção dos vinhos portugueses no país, agora com uma quota de 10% nas exportações dos produtores nacionais.

Desde 2011, o investimento da Viniportugal nos EUA rondou os €9 milhões. Portugal somou prémios e críticas positivas, ganhou notoriedade, posicionou-se no segmento médio, nos vinhos vendidos ao consumidor entre os 8 e os 11 dólares (€7,58 a €9,47) e “começou a vencer a batalha da visibilidade nas prateleiras dos supermercados, o que permite começar a apostar em ações de promoção destinadas ao consumidor final”, refere.

O que fez a diferença no destino “terá sido o reconhecimento das revistas da especialidade”, mas a base de tudo esteve deste lado do Atlântico, “onde fazemos bons vinhos, diferentes e com excelente relação qualidade/preço”, sublinha.

Na batalha de afirmação dos vinhos lusos, um dos dados a apresentar é o facto de o preço médio por litro na exportação, à saída da cave, em Portugal, bater o de Espanha por uma margem confortável de €2,62 contra €1,18.

O país vizinho protagoniza aliás, um dos destaques negativos nas estatísticas de 2016, com uma quebra de 78,9% no preço médio por litro vendido para €0,85 cêntimos. A explicação, diz Jorge Monteiro, estará exatamente em Angola e no vinho a granel que seguia para este país e foi canalizado para Espanha. Aliás, se considerar apenas os vinhos tranquilos (que não têm gás) com denominação de origem, o preço médio das exportações para Espanha aumentou 1,6% (€4,56).
Outra parte do vinho a granel que não seguiu para Angola terá sido vendido na Rússia, onde o preço médio por litro caiu 68,8% (€0,83).

Na China, Portugal aparece pela primeira vez no ranking dos 10 principais fornecedores. As vendas crescerem 25% em valor (€17,5 milhões), com o preço médio (€2,41) a saltar 11%. Já no Reino Unido, o preço médio (€3,68) perdeu 8,2% e as vendas caíram 2,7%, “essencialmente devido ao vinho do Porto”. “A quebra nos licorosos foi de 9,2%, mas os vinhos tranquilos cresceram 14,7%”, explica.

Entre os desempenhos positivos do sector, Jorge Monteiro destaca os avanços em destinos como o Japão, Coreia do Sul ou Suíça, mas o Brasil também é olhado com tranquilidade. O preço médio caiu 15,3%, para €2,48, mas Portugal está a ganhar quota de mercado, melhorou a posição frente a concorrentes como a Argentina, França, Itália. “Ganhámos 1,8% de quota e estamos, agora, nos 10,7%. Não estamos a vender o mesmo vinho mais barato, mas a vender vinhos mais baratos, adaptando a oferta à perda de poder de compra do consumidor brasileiro”, diz.

Nesta análise de pormenor da evolução dos vinhos portugueses, o presidente da Viniportugal compara, também, 2016 com 2005. Agora, as exportações somam €726,9 milhões e 52% deste valor é garantido nos vinhos tranquilos. Há 11 anos, o país exportava €550 milhões, com o Porto e Madeira a responderem por 2/3 deste valor. Feitas as contas, diz que a perda nas exportações em 2016 fica a dever-se, essencialmente, aos vinhos licorosos.