Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Dicas de poupança: “IRS automático” não quer dizer certo “IRS certo”

Mesmo que opte este ano pelo IRS Automático, confira sempre se não tem outras despesas a acrescentar. Pode ter a receber mais do que o simulador indica. E há até casos de contribuintes que não deviam pagar nada - ou deviam mesmo receber - e que terão de pagar se aceitarem o IRS Automático

Pedro Andersson

d.r.

Uma contabilista amiga contou-me este fim de semana que uma senhora foi ao Portal das Finanças e ao abrir o IRS “Automático” a simulação dava-lhe um reembolso de 50 euros. Qualquer pessoa menos informada acharia que, como não tinha de pagar nada e as contas são feitas pelas Finanças, deveria estar certo. E aceitaria.

Numa situação ideal, nem precisaria de fazer mais nada, porque no fim do prazo de entrega do IRS, se o contribuinte não submeter o IRS, ele passa a efetivo automaticamente, com os valores que lá estiverem.

Felizmente, os profissionais (e os contribuintes informados) conferem as coisas, para ver se as deduções estão todas lá. E o facto é que não estavam. O sistema da Autoridade Tributária (AT) vai buscar simplesmente todos os valores que estão no e-Fatura, partindo do princípio que o contribuinte foi ver se estavam todos bem. Faltavam as rendas de casa.

O senhorio passou os recibos em papel, mas não os declarou nas Finanças, por isso não apareceram no IRS Automático as deduções relativas a imóveis. A contabilista abriu novamente o Modelo 3 da senhora, inseriu manualmente o Anexo H, para acrescentar as rendas que faltavam, e a contribuinte passou a receber 300 euros, em vez de 50.
Estes casos estão a repetir-se com muita frequência. Afinal de contas, são cerca de 1 milhão e 700 mil pessoas que estão abrangidas este ano pelo IRS Automático. É preciso ter muito cuidado. Quantos não terão aceite o valor que lá estava sem confirmar? O Estado fica a ganhar e o contribuinte a perder.

Mais um pormenor. O IRS Automático é preenchido pelas Finanças com base no agregado e requisitos que preencheu no último IRS entregue (relativo ao ano anterior). Isso pode estar desatualizado, para seu prejuízo. Pode ter nascido um filho em 2016. Como o IRS Automático a entregar este ano é feito com os seus valores de 2015, as deduções do filho nascido em 2016 não vão aparecer, a menos que as acrescente (não estão incluídas). Como vê, há várias situações que podem afetar negativamente o seu IRS.

Há até casos de contribuintes que não deviam pagar nada - ou até receber - e que vão ter de pagar se aceitarem o IRS Automático. Esteja sobretudo atento aos seus familiares e amigos mais idosos ou com menos conhecimentos a quem esta informação possa ser útil.

Não se esqueça que mesmo que já tenha entregue o IRS Automático, se der por algum erro ou se verificar que pode melhorar o seu reembolso, pode a qualquer momento submeter uma declaração de substituição, que anula o IRS Automático. Não paga mais por isso.

Não tenho dúvidas de que este é o caminho. No futuro, a AT vai facilitar ao máximo a entrega do IRS para todos os contribuintes. Mas por ser mais fácil não quer dizer que seja o melhor resultado para si. Temos de estar sempre de olhos bem abertos. Se não souber como fazer, pergunte. Não aceite nada “de cruz”, venha de onde vier. Mesmo que seja das Finanças.