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Quem investe mais no residencial de luxo a nível mundial?

Philip White, CEO do grupo Sotheby’s, e Gustavo Soares, CEO da Sotheby’s Portugal

Nuno Botelho

Investidores da China, Índia e Médio Oriente pesam cada vez mais no imobiliário de luxo

Investidores do Reino Unido, Estados Unidos, China, Índia e Emirados Árabes Unidos estão entre aqueles que mais investem no imobiliário de luxo fora dos seus países de origem. Recentemente, Lisboa acolheu no Hotel Ritz a convenção da Sotheby’s International Realty, onde participaram 160 responsáveis de agências, que cruzaram tendências de um mercado que está em crescendo com o surgimento de uma classe emergente de milionários entre os asiáticos.

Alguns deles já “descobriram” Portugal, mas o país está ainda a dar os primeiros passos neste circuito. “Portugal começa a entrar no radar dos investidores estrangeiros, e agora é uma questão de se consolidar a promoção do país. Os preços são muito mais razoáveis do que em outras partes do globo, o clima é muito bom, a comida é fantástica, acho que é uma questão de mostrar estas propriedades a uma audiência global maior”, referiu ao Expresso Philip White, CEO deste grupo imobiliário especializado no luxo e que tem em carteira 50 mil propriedades em todo o mundo.

Para o responsável, quem aposta no luxo procura praia, sol, vista, locais cosmopolitas, propriedades históricas ou muito contemporâneas, e em Portugal não falta essa diversidade. Mas a realidade é que a escala nacional está ainda muito aquém da de países como o Reino Unido, França, Estados Unidos ou Canadá, onde se aposta fortemente neste tipo de mercado de investimento.

Os tão mediáticos vistos gold, que atraíram para Portugal desde a sua criação, em finais de 2012, pouco mais de €2,4 mil milhões — a esmagadora maioria em investimento imobiliário e proveniente do mercado chinês —, representam um percentual diminuto quando comparado com o de países que exercem uma forte atração junto dos asiáticos.

“O valor médio de investimento dos estrangeiros que investem em propriedades fora do seu país de origem é de 1,2 milhões dólares [cerca de um milhão de euros]. No caso dos chineses, cuja economia mudou tanto nos anos mais recentes e criou uma classe média alta numerosa, estamos a falar de um interesse chave em comprar imobiliário em mercados como a Austrália ou os EUA, privilegiando áreas com grande potencial ao nível da educação. Já os investidores dos Emirados Árabes Unidos, Dubai ou Abu Dhabi têm preferência em locais como a Suíça, Londres ou Turquia.”

Philip White fala ainda de um outro mercado em ascensão que está a tirar partido da valorização cambial: “O dólar americano está bastante valorizado em relação ao euro e à libra, e por isso temos assistido a um interesse crescente dos americanos com capacidade financeira para investir em oportunidades imobiliárias. Além da Europa, eles estão a investir também muito nas Caraíbas. Já os indianos focam-se muito nos Estados Unidos e ali investem 8 mil milhões de dólares [€7,3 mil milhões] todos os anos.”