Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Reestruturação suave poupa €2500 milhões

Mário Centeno e António Costa têm razões para sorrir com os juros da dívida que, depois das palavras de Draghi quinta-feira, voltaram a cair

José Caria

Alteração das condições dos empréstimos europeus, reembolso ao FMI e compras do BCE já ajudaram bastante contas públicas portuguesas

A palavra reestruturação usada na mesma frase que dívida provoca facilmente calafrios aos investidores. Os governantes adoram eufemismos e falar em reestruturação é, muitas vezes, sinónimo de incumprimento (default) — a palavra maldita da bancarrota. Ou seja, não pagar. E disso, já se sabe, os credores e as agências de rating não gostam mesmo nada. É uma questão de princípio que se instituiu para os periféricos da zona euro, excluindo a Grécia, considerada um caso isolado, uma exceção a não copiar. “As instituições da zona euro tornaram claro que a reestruturação da dívida está fora de questão. Qualquer redução no valor facial das obrigações portuguesas levaria necessariamente a uma notação de crédito mais baixa”, referiu ao Expresso Adriana Alvarado, vice-presidente da DBRS, a única agência a não considerar a dívida portuguesa como especulativa e a permitir que Portugal continue a ter acesso ao programa de compra de dívida pelo Banco Central Europeu (BCE).

Mas, na verdade, reestruturação é uma palavra que encerra uma série de significados possíveis, muitos dos quais bastante mais benévolos. No entanto, para evitar dúvidas, usam-se habitualmente outros termos mais suaves — como reprofiling (mudança de perfil ou reescalonamento) — quando se pretende falar em alterações das condições da dívida que não passem pelos temidos ‘cortes de cabelo’. “Cancelamentos nominais da dívida são inverosímeis no enquadramento atual. Alongamentos dos prazos e alguma revisão das taxas de juro serão a via possível. Na prática, se implementados, resultariam numa reestruturação suave com impacto favorável na sustentabilidade da dívida”, sublinha o economista Ricardo Arroja.

Leia mais na edição deste fim de semana