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Juros da dívida. Grécia e Portugal lideraram descidas em abril

Prémio de risco caiu substancialmente para os dois periféricos, que estão a liderar também na rentabilidade este ano. Juros e risco da dívida francesa recuaram depois do efeito Macron

Jorge Nascimento Rodrigues

Grécia e Portugal lideraram em abril nas descidas das yields dos títulos soberanos no prazo de referência a 10 anos no mercado secundário da dívida na zona euro.

A estabilidade da política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE), reafirmada na reunião da passada quinta-feira, e os resultados positivos internos recentes para as duas economias periféricas - evolução da baixa do défice orçamental em Portugal no primeiro trimestre e obtenção de excedente primário orçamental elevado na Grécia em 2016 - alimentaram o recuo do custo da dívida e a liderança na rentabilidade avaliada desde início do ano, segundo os índices Bloomberg para a dívida obrigacionista na área da moeda única.

Recorde-se, ainda, que a agência de notação canadiana DBRS não mexeu no rating não especulativo da dívida portuguesa na revisão realizada este mês. Não o melhorou (nem mesmo na perspetiva que se manteve estável), mas também não o desgraduou para 'lixo financeiro'. No caso de Atenas, as expetativas são positivas no sentido da obtenção de um acordo técnico para a reunião do Eurogrupo de 22 de maio, que possa levar ao desbloqueamento da tranche do resgate de modo a evitar um incumprimento ao Fundo Monetário Internacional e ao BCE em julho.

Dívida a 10 e 15 anos abaixo de 4%

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência caíram 39 pontos base (o equivalente a 0,39 pontos percentuais, a quase quatro décimas) desde o final de março no mercado secundário. No fecho de abril, na sexta-feira, fecharam em 3,58%, um mínimo desde o início de dezembro do ano passado. Durante esta última semana de abril, as yields das OT naquele prazo chegaram a cair abaixo de 3,5%.

Na maturidade a 15 anos as yields fecharam abaixo de 4%, em 3,95%, e a 20 anos encerraram em 4,12%. Em qualquer dos três prazos mais longos – 10, 15 e 20 anos -, o custo está abaixo da taxa de colocação que o IGCP pagou aos investidores na operação de sindicação em janeiro aquando do lançamento da nova linha de OT com vencimento em 2027 (e que serve, agora, de referência a 10 anos).

Ao longo de abril, no caso grego, o recuo foi de 65 pontos base fechando em 6,34%, e em relação a França, a descida saldou-se em 21 pontos base, fechando em 0,77%. Seguiu-se o recuo de 13 pontos base no caso da Irlanda durante o mês. Espanha e Itália viram as yields descer apenas 1 ponto base em abril.

O prémio de risco da dívida portuguesa desceu 38 pontos base em abril, fechando em 326 pontos base, ou seja, um diferencial de mais de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã. A maior queda este mês registou-se para a Grécia, um recuo de 64 pontos base do prémio, encerrando em 602 pontos base (mais de 6 pontos percentuais de diferença). O prémio para a dívida francesa caiu 20 pontos base e o relativo à dívida irlandesa recuou 13 pontos base. No caso de Itália, o prémio de risco manteve-se e para Espanha desceu, apenas, 1 ponto base. Espanha e Itália são os periféricos que menos beneficiaram em abril dos fatores positivos na zona euro, como o efeito Macron e a estabilidade da política do BCE.

Evolução positiva do índice da dívida portuguesa

Grécia e Portugal lideram, também, na rentabilidade da dívida obrigacionista medida desde o início do ano pelos índices da Bloomberg para a dívida soberana. O retorno da dívida portuguesa está no final de abril em 3,53%, acima de 1,26% no mês anterior. Para a Grécia, o retorno é de 9,12% em abril, face a 3,67% em março.

O retorno médio na zona euro continua em terreno negativo, tendo melhorado de -1,43% em março para -0,88% em abril. As rentabilidades para as dívidas alemã, belga, espanhola, francesa e italiana continuam em terreno negativo. A rentabilidade mais baixa regista-se para a dívida italiana, que fechou abril em -1,82%.

Ainda segundo a Bloomberg, a taxa até à maturidade do conjunto da dívida obrigacionista portuguesa caiu de 2,44% em março para 2,15% em abril. Esta taxa é diferente do custo de toda a dívida direta do Estado português que, no final de 2016, estava em 3,2%, segundo o IGCP.