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Trump não convence mercados e Draghi não quer ser imprudente

As bolsas de Nova Iorque fecharam na quarta-feira no vermelho duvidando da viabilidade do plano de corte de impostos divulgado pela Casa Branca. A Europa abriu esta quinta-feira em baixa depois de uma sessão anterior neutra. Mario Draghi não vai repetir erros de Jean-Claude Trichet em 2011. Não se espera qualquer mudança na política monetária na reunião do BCE

Jorge Nascimento Rodrigues

Nova Iorque fechou na quarta-feira ligeiramente abaixo da linha de água e a Europa abriu esta quinta-feira no vermelho. Wall Street não se entusiasmou com o Plano Trump para os impostos divulgado ontem e o efeito Macron já se esgotou na Europa.

O plano de amplos cortes de impostos apresentado ontem na Casa Branca pelo secretário do Tesouro norte-americano não convenceu quanto à sua viabilidade e crescem as dúvidas sobre a sua neutralidade orçamental. O Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB), uma entidade independente apoiada pelos dois partidos do Congresso, calcula o custo do pacote fiscal da Administração Trump em perdas de receitas para o orçamento federal entre 3 a 7 biliões de dólares (2,7 a 6,4 biliões de euros) numa década.

Em Wall Street, os índices Dow Jones 30 e S&P 500 fecharam na quarta-feira ligeiramente no vermelho e o Nasdaq, o índice da bolsa das tecnológicas, ficou neutral. O índice MSCI global para os Estados Unidos recuou ligeiramente 0,04%, depois de ter registado ganhos de 0,6% na terça-feira. O índice MSCI mundial fechou a subir ligeiramente 0,02% na quarta-feira.

A Europa abriu esta quinta-feira no vermelho, depois do índice MSCI respetivo ter fechado sem alteração no dia anterior. No entanto, a maioria das bolsas europeias registou ontem ganhos, com Atenas a liderar as subidas fechando com um ganho de 1,3%. O PSI 20 em Lisboa avançou 0,17%. O índice das 50 principais cotadas da zona euro encerrou a sessão com perdas de 0,12% e esta quinta-feira abriu a cair 0,5%.

BCE não vai alterar estratégia prudente

Não se prevê qualquer alteração na política monetária do Banco Central Europeu (BCE) que esta quinta-feira reúne o seu conselho em Frankfurt, anunciando as suas decisões pelas 12h45 (hora de Portugal), a que se seguirá pelas 13h30 a tradicional conferência de imprensa do seu presidente Mario Draghi.

Os analistas não esperam que o italiano altere a estratégia de prudência do banco central de “apertar mais tarde do que prematuramente”. Draghi não quer repetir os erros decisivos do seu antecessor, Jean-Claude Trichet, que deitou gasolina na fogueira ao aumentar as taxas de juro em 2011, em plena crise das dívidas soberanas. Na reunião do Fundo Monetário Internacional na semana passada, Draghi reafirmou a política monetária expansionista e recebeu o apoio público do Fundo.

Uma sondagem da Bloomberg junto de economistas, realizada este mês, aponta o primeiro trimestre de 2018 como início de uma descontinuação gradual do programa de compra de ativos pelo BCE e o terceiro trimestre seguinte como altura em que o conselho do banco poderá optar por uma primeira mexida nas taxas de juro, começando por subir a muito contestada taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos.

Riscos geopolíticos abrandam

Alguns riscos geopolíticos diminuíram ontem depois da Administração Trump ter afirmado que opta por sanções económicas contra a Coreia do Norte no sentido de trazer Pyongyang para “o caminho do diálogo”. A Casa Branca afirma, agora, que opta pela “via diplomática com os aliados e os parceiros regionais” para pressionar o regime norte-coreano depois da China ter dado sinais de estar a endurecer as suas posições face ao seu vizinho.

Durante o passado fim de semana, o jornal “Global Times”, próximo do Partido Comunista da China, publicou um texto de opinião em que se sublinhavam dois pontos da nova política de Pequim: a China cortará drasticamente no fornecimento de petróleo à Coreia do Norte se Pyongyang resolver realizar novo teste nuclear; e não responderá militarmente, ao lado do regime de Kim Jong-un, no caso de uma operação cirúrgica dos Estados Unidos a instalações nucleares norte-coreanas.

Trump recuou, também, em abrir uma frente de disputa com os seus dois parceiros da NAFTA, Canadá e México, declarando, agora, “não romper o tratado” e querer proceder a uma renegociação "rápida", depois de falar com o primeiro ministro canadiano e o presidente mexicano.

O recuo na retórica da Administração norte-americana e os resultados da primeira volta nas eleições presidenciais em França, com o eleitorado a dar uma maior votação ao candidato independente Emmanuel Macron, reduziu os riscos políticos e geopolíticos iminentes.

  • O secretário do Tesouro norte-americano apresentou esta quarta-feira a proposta de reforma tributária que reduz o IRS para três escalões, isenta de imposto os rendimentos das famílias até 24 mil dólares por ano e está a preparar um imposto especial para a repatriação de lucros pelas multinacionais