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Juros da dívida portuguesa estão a liderar descidas esta semana

Os juros das Obrigações do Tesouro fecharam no mercado secundário abaixo de 3,5% esta quinta-feira após o BCE ter reafirmado a política monetária expansionista. Estão em mínimos desde início de novembro do ano passado

Jorge Nascimento Rodrigues

A trajetória descendente desde meados de março tem conduzido as yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos para mínimos sucessivos este ano, estando já em taxas ao nível das registadas no início de novembro do ano passado.

Estão, no entanto, ainda, distantes dos níveis abaixo de 2,7% de meados de agosto do ano passado, antes do disparo provocado pela especulação em torno de uma eventual decisão de baixa de rating pela agência DBRS em outubro, pelo impacto negativo da eleição de Trump e pelo risco de Portugal ver a sua dívida elegível para compras pelo Banco Central Europeu (BCE) se esgotar antes do final do programa.

As yields daquelas OT no prazo de referência fecharam esta quinta-feira em 3,47%, uma redução de 29 pontos base em relação ao encerramento da semana passada, antes do efeito Macron derivado da primeira volta das eleições presidenciais em França. Esta semana, está a ser a maior descida em pontos base verificada na zona euro, superior inclusive à registada para as yields das obrigações gregas naquele prazo que recuaram 26 pontos base em relação a sexta-feira passada.

O prémio de risco da dívida portuguesa caiu 35 pontos base desde dia 21 de abril. Fechou hoje em 316 pontos base. É ainda muito elevado face ao custo de financiamento da dívida alemã, um diferencial acima de 3 pontos percentuais, e elevado em relação ao espanhol, irlandês e italiano, ainda que se tenha vindo a encurtar a distancia. O prémio de risco helénico desceu 31 pontos base desde dia 21 de abril, mas continua elevadíssimo, em 6 pontos percentuais acima da referência alemã, praticamente o dobro do português.

Com o efeito Macron a perder gás ao longo da semana, a tomada de posição desta quinta-feira do BCE, ao reafirmar inequivocamente a orientação expansionista da sua política monetária, impulsionou a descida das taxas no mercado secundário para os periféricos do euro e para França. No entanto, Itália mantém as taxas ao mesmo nível das registadas na sexta-feira passada. É o periférico do euro que menos está a beneficiar do impulso dado pelo efeito Macron e pela reafirmação clara por Mario Draghi da orientação até final do ano por parte do BCE e da recusa em dar sinais de quando procederá a uma “sequenciação” da descontinuação das políticas em curso.