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Draghi confessa que não veio mais esclarecido de Washington

A respeito da política da Administração norte-americana, o presidente do BCE disse esta quinta-feira que continua a achar prematuro reagir ou tomar decisões em relação a “políticas futuras” de Trump. Mas acha que o risco de protecionismo recuou na reunião do FMI da semana passada

Jorge Nascimento Rodrigues

“Na verdade não [vim mais esclarecido sobre a política da Administração Trump]”, disse, secamente, esta quinta-feira Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), na conferência de imprensa que sucedeu à reunião de política monetária, onde “riscos ligados a fatores globais” continuam a pesar nas decisões dos banqueiros centrais em Frankfurt.

Questionado se a sua ida à assembleia do Fundo Monetário Internacional na semana passada em Washington lhe permitiu ter mais clareza sobre a política da nova Administração norte-americana, Draghi sublinhou que continua a ser “prematuro reagir ou tomar qualquer decisão de política baseada em políticas futuras” da Administração norte-americana.

Mas, confessou, que retirou uma conclusão “tentativa” da sua participação nas reuniões do Comité Monetário e Financeiro Internacional e dos ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 – a de que “o risco de protecionismo talvez tenha recuado”. Mas essa tranquilidade tentativa não levou o conselho do BCE a mudar a avaliação de que os riscos associados aos fatores “geo-globais” aumentaram. A incerteza sobre a política efetiva da Administração Trump inclui-se nesse fatores, a par do que se passa na Península coreana, nos efeitos do Brexit e em eventuais “surpresas negativas nos mercados emergentes”.

A crítica ao protecionismo desapareceu do comunicado do Comité referido, tal como já acontecera na reunião do G20 na Alemanha em março. Agora, em Washington foi substituída por uma formulação mais suave de recomendação de se evitarem “políticas viradas para dentro”. O banqueiro central mexicano Agustín Carstens explicou que teve de se adotar um “equilíbrio positivo e construtivo” em virtude “do uso da palavra protecionismo ser muito ambíguo”. Algo que não se manifestava em outubro do ano passado, quando o mesmo Comité e o G20 advogavam “a resistência a todas as formas de protecionismo”.

O compromisso com a posição da nova Administração norte-americana parece ter sido compensado com a diminuição da retórica protecionista inicial. Numa conversa do secretário do Tesouro Steven Mnuchin com a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, que decorreu à margem da assembleia do Fundo, o responsável norte-americano defendeu a ‘gestão’ do comércio internacional dos Estados Unidos dentro da lógica de “acordos comerciais baseados na reciprocidade”, que Lagarde resumiu na expressão idiomática inglesa ‘tit for tat’, ou seja, uma coisa por outra.

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