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Ulrich deixa presidência executiva do BPI no dia em que faz 65 anos

Fernando Ulrich e Augusto Santos Silva: uma dupla famosa que se desfaz, depois de estar junta desde a fundação da SPI, a sociedade de investimento que esteve na génese do BPI

Luís Barra

A prenda do CaixaBank é um bónus de 465 mil euros. Fernando Ulrich transfere-se para presidente do conselho de administração. A assembleia de acionistas desta quarta-feira consagra a tomada de poder do CaixaBank e desfaz a dupla Ulrich/Santos Silva que marcou o primeiro ciclo da vida do banco

A data não podia ser mais simbólica. No dia em que festeja 65 anos, Fernando Ulrich fecha um ciclo de 13 anos e passa a pasta de presidente executivo do BPI ao catalão Pablo Forero.

A assembleia de acionistas desta quarta-feira em Serralves será o início de uma nova era no BPI e nas vidas de Fernando Ulrich e Artur Santos Silva, as figuras de referência do primeiro banco privado (1985) do mercado português após as nacionalizações do período revolucionário. Pablo Forero torna-se o terceiro presidente executivo do banco.

Ulrich transita para presidente do conselho de administração (chairman), Santos Silva, a um mês de fazer 76 anos, fica como presidente honorário e a presidir a uma nova comissão dedicada à responsabilidade social.

É uma dupla famosa que se desfaz, depois de estar junta desde a fundação da SPI, a sociedade de investimento que esteve na génese do banco.

Saudades? Nem por isso

Fernando Ulrich abranda o ritmo, ganha liberdade, mas permanece ligado à nova ordem do BPI, gerada pela oferta de aquisição de fevereiro, com a transferência do centro de decisão para Barcelona, a sede do CaixaBank.

Mas a gestão manterá uma forte sotaque português. Na comissão executiva, a maioria (seis em nove) são gestores da casa e no conselho de administração há paridade de nacionalidades.

E terá Ulrich saudades da vida frenética de executivo? No rescaldo da operação que ditou o domínio do CaixaBank (84,5% do capital), respondeu :“Eu não vou ter saudades porque continuarei completamente comprometido com o BPI. Espero, talvez, um pouco menos de agitação e stresse. Já trabalho há 45 anos e não tenho a energia que já tive”.

Uma prenda de 465 mil euros

A AG desta quarta-feira em Serralves servirá para escrutinar as contas de 2016 (o exercício fechou com lucros de 313 milhões, mas não haverá distribuição de dividendos), eleger o conselho de administração e aprovar o bónus a atribuir aos seis elementos da comissão executiva que termina o mandato.

Na hora da despedida, o presidente executivo Fernando Ulrich receberá 465,5 mil euros. Admitindo que em 2016, a remuneração fixa foi igual à de de 2015 (469 mil euros), Ulrich embolsa 934,5 mil euros no último ano do seu mandato.

Mas só metade da remuneração variável será paga em dinheiro e no imediato. Os restantes 50% serão diferidos no no tempo. A nova política de remuneração no BPI segue este critério: 50% do bónus será pago em dinheiro e a parte restante através de outros instrumentos financeiros, como, por exemplos, ações do Caixabank.

Em 2015, a remuneração variável de Ulrich fora de 122 mil euros, mas os gestores beneficiavam e um programa de atribuição de ações do banco que, por causa da escassa liquidez, o CaixaBank extingue.

António Domingues, vice-presidente do BPI durante parte de 2016 antes de se mudar para a Caixa de Depósitos, terá direito a 106,7 mil euros. O seu vencimento, em 2015, fora de 429 mil euros.

Cada um dos cinco vogais (José Pena do Amaral, Maria Celeste Hagatong, Manuel Ferreira da Silva, Pedro Barreto e João Pedro Oliveira e Costa) serão premiados com 328,6 mil euros cada um.

O valor é semelhante ao da remuneração fixa (326 mil euros em 2015). Em 2015, a remuneração variável de cada vogal fora de 86 mil euros.

Em 2015, o conselho de administração do BPI ganhou 4,4 milhões de euros (3,2 milhões couberam aos sete elementos da equipa executiva).

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