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Cristina Amorim na administração do BPI

nuno fox

A presença de Cristina Amorim no conselho de administração traduz uma aproximação empresarial do universo Amorim com o BPI da era CaixaBank. A Assembleia Geral desta quarta-feira consagra o novo ciclo do banco fundado em 1985

Cristina Rios Amorim, administradora financeira da Corticeira Amorim, é a principal novidade entre os 19 elementos que compõem o primeiro conselho de administração (CA) do BPI da era CaixaBank. O CA será eleito na Assembleia Geral (AG) de acionistas que decorrerá esta quarta-feira de manhã no auditório da Fundação de Serralves, no Porto.

Cristina Amorim surge como administradora independente, tal como António Lobo Xavier, que é promovido a vice-presidente, e Tomas Jervell (Auto Sueco), o único acionista do núcleo fundador do banco que transita do anterior CA.

O convite a Cristina Amorim traduz uma nova proximidade entre o atual BPI e o universo empresarial da família Amorim. Presidido por Fernando Ulrich, o novo CA acolhe tantos gestores portugueses como espanhóis, cabendo ao representante da seguradora Allianz desempatar, em termos de nacionalidade.

O regresso de Farinha de Morais

A comissão executiva é alargada de sete para nove elementos – o presidente Pablo Forero e mais dois vogais são espanhóis. José Pena do Amaral, Pedro Barreto e João Oliveira Costa são reconduzidos, enquanto os diretores da casa Alexandre Lucena e Vale e Francisco Manuel Barbeira se estreiam na comissão executiva, substituindo Manuel Ferreira da Silva e Celeste Hagatong, que tinham anunciado, no rescaldo da oferta de aquisição do CaixaBank, estar de saída.

Um caso especial é o de António Farinha de Morais, administrador do Banco de Fomento Exterior quando o BPI o comprou. Regressa à comissão executiva, depois de há dois anos ter saído por causa da imposição estatutária do limite de idade (62 anos) – o gestor festeja 66 anos em agosto. A remoção do impedimento da idade é uma das 10 alterações estatutárias que a assembleia geral de hoje aprovará.

Nove pontos

A eleição dos órgãos sociais, a aprovação do relatório e contas de 2016 ( não haverá distribuição de dividendos) e a atribuição de prémios à comissão executiva cessante são alguns dos nove pontos da ordem de trabalho de uma AG que consagra e oficializa a tomada de poder pelo grupo catalão.

É um novo ciclo de assembleias pacíficas e previsíveis, com participação residual, sem a crispação e suspense que marcaram as mais recentes. O auditório de Serralves (600 lugares) vai parecer grande demais.

O CaixaBank domina o BPI com 84,5% do capital e conta com a Allianz como aliado (8,42%). Ainda assim o BPI declara 11800 mil pequenos investidores que partilham 4,7% do capital.

A família Violas, que manteve uma posição residual após a operação de fevereiro do CaixaBank, acabou por se desfazer de todas as ações e não participa na assembleia de hoje. "O ciclo BPI está encerrado, como acionista e como cliente", respondeu Tiago Violas Ferreira ao Expresso.