Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Hã?... Importa-se de repetir?

Johnny Depp e Alice Cooper, músicos da banda The Hollywood Vampires, quando vieram atuar no Rock in Rio Lisboa, no ano passado, participaram na colocação 
de aparelhos auditivos 
a utentes da Santa Casa 
da Misericórdia de Lisboa


Rafael Marchante / REUTERS

Multiplicam-se as lojas com dispositivos para ouvir melhor. Em Portugal vendem-se 40 mil aparelhos por ano

Se levarmos em conta o número de lojas em cada esquina, a quantidade de anúncios, principalmente na televisão e imprensa, e a união de duas das maiores empresas do sector (a Amplifon comprou a MiniSom por €16 milhões), isso pode querer dizer que estamos todos a ficar surdos. E que vender aparelhos auditivos é cada vez mais um bom negócio.

Dados oficiais não existem, mas a MiniSom, que em 2016 foi o maior anunciante do sector dos aparelhos auditivos (ver infografia), estima que o mercado total esteja a aumentar cerca de 3% ao ano, para 40 mil unidades vendidas anualmente em Portugal. “O crescimento é essencialmente orientado pelo volume, pelo envelhecimento da população e por um preço bastante estável”, explica José Jesus, diretor geral da MiniSom, que com a junção à Amplifon passa a totalizar 140 pontos de venda em Portugal, todos lojas próprias.

Com a aquisição da MiniSom, aprovada pela Autoridade da Concorrência a 9 de março, as duas empresas combinadas passam a ter uma quota de mercado de 35%, quase em pé de igualdade com o líder Acústica Médica, que detém 40%. José Jesus justifica os fortes investimentos em publicidade com o posicionamento num mercado com capacidade de crescimento.

“Comparando com a média europeia, a penetração dos aparelhos auditivos em Portugal ainda é bastante baixa, mostrando que grande parte das pessoas com necessidades auditivas não estão a resolver o seu problema”, sustenta o diretor-geral da MiniSom. Com este reforço da presença no mercado nacional, a Amplifon avança que passa a ter receitas combinadas de €20 milhões, beneficiando das poupanças que advêm das sinergias a nível de compras, marketing e funções de apoio ao negócio. Neste momento, ainda está a avaliar com que marca irá operar em Portugal.

“Reconhecemos o valor da marca MiniSom e o intuito é estar no mercado português com a melhor proposta de valor para toda a empresa”, explica Liliana Comitini, diretora geral para Espanha e Portugal da Amplifon Ibérica. A demografia e a baixa taxa de penetração, bem como a elevada fragmentação do mercado que ainda permite oportunidades de consolidação, são as principais oportunidades que Liliana Comitini identifica no mercado.

No ano passado, o grande movimento de consolidação ficou por conta da compra da AudioNova pela Sonova, por €830 milhões, passando a constituir uma rede de 3300 lojas a nível mundial. A Sonova passou a ser a maior empresa neste mercado, onde opera com as marcas Phonak, Unitron, Advanced Bionics, Hansaton e AudioNova.

GAES: dos Hollywood Vampires à Fátima Lopes

Entre os operadores que mais investiram em publicidade nos meios de comunicação em 2016 destaca-se a GAES (na quinta posição), que neste mesmo ano ganhou notoriedade com a iniciativa em parceria com a Starkey Hearing Foudation.

Por ocasião do Rock in Rio Lisboa, esta fundação pôs os músicos da banda The Hollywood Vampires a ajudarem a colocar aparelhos auditivos a 30 utentes da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (na foto).

Este ano, a aposta em termos de marketing é a apresentadora Fátima Lopes, que é a protagonista da mais recente campanha publicitária, na qual a GAES está a investir €2,5 milhões a preços de tabela. Em termos de vendas, o objetivo para este ano é faturar €5,8 milhões, quando em 2016 faturou €5,2 milhões.

No total, a GAES tem 23 centros auditivos próprios, aos quais se somam os 150 centros de consulta em parceria com entidades relacionadas com a área da saúde.
“Estando a perda auditiva relacionada com o envelhecimento, e havendo cada vez mais seniores, este é um mercado apetecível para novos players (operadores). No entanto, este é um sector com uma componente de serviço muito importante, não chega vender apenas o aparelho auditivo e este ponto é fulcral para o sucesso e continuação neste sector”, sustenta Dulce Martins Paiva, diretora geral da GAES.

De acordo com esta responsável, o preço médio de um aparelho para perda auditiva moderada ronda os €1600, que em promoção pode custar €700, sendo que os aparelhos topo de gama podem ascender a €4 mil. A nível global, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, há mais de mil milhões de pessoas entre os 12 e os 35 anos com risco de surdez devido ao uso de auriculares, sem contar com a perda auditiva própria do envelhecimento. É só fazer as contas.

Artigo publicado na edição do Expresso de 22/04/2017