Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Efeito Macron. Juros da dívida portuguesa em mínimos de quase cinco meses

Os juros das Obrigações do Tesouro português descem esta segunda-feira para 3,65% na abertura dos mercados financeiros na Europa. Na Ásia, as bolsas fecharam em terreno positivo com exceção da China. Bolsa de Paris lidera subidas na Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros das Obrigações do Tesouro (OT) no prazo de referência, a 10 anos, desceram esta segunda-feira para mínimos de quase cinco meses. Caíram para 3,65%, na abertura do mercado secundário da dívida na Europa. Distanciam-se claramente do limiar dos 4%.

O movimento é global aos periféricos da zona euro e a França e Bélgica. No caso das OT a 10 anos a descida é de 3% em relação ao valor de fecho de sexta-feira, e quanto às obrigações francesas (OAT) naquele prazo de referência a descida é superior a 9%, com as yields das OAT em mínimos de início de janeiro.

Em virtude da descida dos temores sobre o desfecho das eleições presidenciais francesas, as yields das obrigações alemãs, consideradas ativos de refúgio face a riscos, e de outras economias do centro da zona euro estão em alta. Com a subida do custo da dívida alemã e a descida nos periféricos e em França e Bélgica, o prémio de risco da dívida desce para estes últimos. O prémio relativo à dívida portuguesa caiu 25 pontos base neste começo de segunda-feira. No caso de França recuou 20 pontos base.

É o efeito Macron. Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais em França no domingo colocaram o candidato independente Emmanuel Macron, pró-euro e pró-União Europeia, como primeiro votado, passando à segunda volta para defrontar a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen.

Esta descida do custo da dívida soberana nos periféricos e em algumas economias do centro (França e Bélgica) na zona euro abre a semana em que o Banco Central Europeu (BCE) volta a reunir-se em Frankfurt para decidir sobre política monetária na zona euro. Mario Draghi, na semana passada, em Washington, sublinhou que o BCE não se vai afastar da política expansionista que tem em curso e recebeu o apoio explícito do Fundo Monetário Internacional para resistir às pressões para dar sinais de que vai descontinuar essa política. Os analistas não esperam qualquer alteração da orientação do BCE na próxima quinta-feira.

O optimismo estende-se aos mercados bolsistas. As bolsas asiáticas fecharam esta segunda-feira em terreno positivo, com a exceção das duas bolsas chinesas. Na Ásia, o mais importante índice bolsista, o Nikkei 225 de Tóquio, fechou a ganhar 1,4%.

As praças financeiras europeias abriram em alta. O índice CAC 40 da Bolsa de Paris lidera as subidas, com um ganho de 3,5% pelas 8h30 (hora de Portugal). O Eurostoxx 50, índice das cinquenta principais cotadas da zona euro, sobe 3%. O PSI 20, da Bolsa de Lisboa, ganha 1,8%.

O euro subiu 1,9% na hora seguinte ao anúncio das primeiras projeções no domingo apontando para Macron como liderando a votação na primeira volta das presidenciais francesas. Na abertura desta segunda-feira do mercado europeu, a moeda única da zona euro desceu do pico de 1,093 dólares pelas 20h40 de domingo (hora de Portugal) para 1,085 dólares pelas 8h30 de segunda-feira. Antes do anúncio das primeiras projeções no domingo, o euro valia 1,073 dólares.