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Diagnóstico português da S&P: economia recupera com moderação, problemas na banca

STAN HONDA/ Getty Images

A Standard & Poor's diz que tem havido progressos na banca, como na recapitalização da CGD, mas considera que os bancos têm de reduzir os ativos problemáticos, o que ajudaria a fortalecer a transmissão da política monetária e as condições de crédito, considerando que medidas implementadas pelas autoridades nesse sentido “pesariam positivamente no ‘rating’ soberano”

A Standard & Poor's (S&P) considera que a economia portuguesa deverá continuar a recuperar ainda que moderadamente e refere que o elevado endividamento e as fragilidades do sistema bancário continuam a ser os problemas que penalizam o rating soberano.

A S&P divulgou esta segunda-feira um relatório no qual avalia as economias de Espanha, Portugal e Grécia, quase uma década após o eclodir da crise, tendo em conta que estes países foram dos mais afetados.

Portugal e Espanha, refere no documento, fizeram importantes ajustamentos externos, conseguindo mesmo excedentes que comparam com "insustentáveis défices externos que ambos [os países] tinham antes de 2008". A S&P destaca ainda a melhoria das exportações dos países ibéricos, nomeadamente graças ao serviço do turismo, considerando que continuarão a beneficiar de um euro mais fraco.

Apesar destas semelhanças, a agência vê diferenças consideráveis entre os dois países, destacando que Espanha lidera a recuperação, com maior crescimento de emprego, consumo e exportações, pelo que admite melhorar para positivo o outlook (perspetiva) do rating esoanhol, atualmente em BBB+ (dentro de nível de investimento).

Já sobre Portugal, é dito que "avança mais lentamente do que Espanha", mas que "deve manter-se no caminho da recuperação moderada".

Quanto ao rating português, a S&P diz que este continua "constrangido pela elevada dívida pública e privada" e por um "sistema bancário que permanece frágil", o que dificulta a transmissão da política monetária e o estímulo ao investimento.

"Na nossa visão, o sector bancário português tem de melhorar a sua rentabilidade e eficiência e a sua capacidade de gerar resultados continua pressionada pelos baixos níveis de taxas de juro e elevado volume de ativos problemáticos", refere a agência, estimando que 16% dos ativos são créditos problemático e ativos imobiliários.

A S&P diz que tem havido progressos, como na recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas considera que os bancos têm de reduzir os ativos problemáticos, o que ajudaria a fortalecer a transmissão da política monetária e as condições de crédito, considerando que medidas implementadas pelas autoridades nesse sentido "pesariam positivamente no 'rating' soberano".

Além disso, refere, poderia melhorar o rating de Portugal se as melhorias da economia excedessem as perspetivas.

No dia 12 de abril, a Lusa noticiou que a Standard & Poor's admitia vir a melhorar o rating português se o crescimento económico acelerar e se baixar o valor do crédito malparado que pesa sobre o balanço dos bancos.

Ainda no relatório divulgado esta manhã, a S&P estima que a economia portuguesa cresça 1,6% este ano, depois de ter avançado 1,4% no ano passado, enquanto a taxa de desemprego deverá ficar nos 10%, o que compara com os 17,5% do pico de há cerca de três anos. Já a dívida pública deverá fixar-se em 118% do Produto Interno Bruto (PIB).

A S&P atribui uma notação financeira de 'lixo' à dívida soberana de Portugal ('BB+'), tal como as outras duas maiores agências, Moody's e Fitch. Melhor notação é apenas dada pela DBRS, que na passada sexta-feira manteve o rating atribuído a Portugal em 'BBB' (baixo), o primeiro nível de investimento, acima do 'lixo', continuando também a dar a perspetiva estável (ou seja, para já não é previsível melhorar a nota).

O rating atribuído pela DBRS tem muita relevância, porque a notação de investimento por pelo menos uma das quatro maiores agências (a DBRS é quarta maior) é exigida para que o Banco Central Europeu continue a comprar dívida pública em Portugal e a financiar a banca do país.

Ainda no relatório da S&P é avaliada a Grécia, sendo este o país cuja economia fica menos favorecida desta 'fotografia" e sendo destacados os problemas que atravessa o sistema bancário do país, que vive uma crise de confiança, o que se vê nos depósitos.