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Pousadas vão crescer fora de Portugal

Renata Xavier

Já com projetos para São Tomé e Uruguai, a meta é ter cinco Pousadas de Portugal no exterior em cinco anos

Chegou a fase de “dar passos no plano de expansão internacional das Pousadas de Portugal” e “São Tomé e Uruguai são os projetos que podem avançar de imediato”, adianta José Theotónio, presidente executivo do grupo Pestana, que desde 2003 detém a concessão da atual rede com 33 pousadas.

O objetivo do grupo Pestana é conseguir ter cinco pousadas a funcionar fora de Portugal até 2023, garantindo assim a extensão do prazo de concessão por mais cinco anos. A rede já conta com uma unidade no Brasil desde 2005, em Salvador da Bahia — a Pousada do Convento do Carmo —, o que, segundo José Theotónio, se deveu a uma “oportunidade que surgiu na altura”. O foco inicial do grupo Pestana ao assumir a gestão das pousadas foi avançar com o plano de investimento em Portugal, obrigando o contrato com o Estado a fazer três novas pousadas totalizando no mínimo 200 quartos.

“Nos primeiros anos estivemos concentrados a cumprir este plano de expansão”, refere José Theotónio, lembrando que as novas pousadas no Porto, em Viseu ou em Lisboa totalizam mais de 200 quartos, sem contar com “outras ampliações de unidades que entretanto realizámos”.

Com os 15 anos de concessão das pousadas agora a finalizar, a prioridade do grupo Pestana até 2023 é “recuperar o plano de expansão internacional da rede, que estabelece a abertura de cinco unidades fora de Portugal, tendo, no mínimo, 300 quartos”, de forma a conseguir a extensão do prazo de concessão por mais cinco anos. Com a Pousada de Salvador da Bahia já a funcionar com cerca de 100 quartos, falta ao grupo concretizar a abertura de mais quatro pousadas no exterior, totalizando no mínimo 200 quartos.

“Não temos nada na Ásia, pode ser a oportunidade”

Fora de Portugal, o projeto que já está mais maduro para avançar refere-se a uma pousada em São Tomé, “no edifício da antiga roça de Porto Alegre no Ilhéu das Rôlas”, ao lado do resort do grupo Pestana. De acordo com José Theotónio, já foi negociado com o Governo santomense a concessão por longo prazo do edifício da roça, podendo a nova Pousada de Portugal ficar concluída até finais de 2018, num investimento calculado entre €5 milhões e €6 milhões.

A terceira pousada da rede a nível internacional perfila-se para Montevideu, capital do Uruguai, tendo o grupo Pestana já concretizado a compra de um edifício para este efeito, o antigo jockey club da cidade, mas trata-se de um projeto que ainda carece de ser validado pela Enatur.

Relativamente às outras duas pousadas no exterior necessárias para cumprir o contrato com o Estado até 2023, alternativas não faltam, segundo o CEO do grupo Pestana. “Temos um levantamento com centenas e centenas de edifícios portugueses identificados ao longo da costa africana, no Brasil e em Goa, feito há anos por uma equipa coordenada por Luís Amado”, salienta Theotónio. “Olharemos com cuidado os países onde já estamos instalados, como Moçambique ou Brasil. Mas não temos nada na Ásia, não estamos presentes em Goa, Timor ou Macau. A Ásia é um dos sítios onde o grupo tem a ambição de chegar, e onde este projeto de internacionalização das pousadas o poderá levar.”

Portugal continua a estar na mira para a expansão da rede de pousadas e “Lisboa, Algarve e Porto são zonas que estamos sempre a ver”. Sobre o programa Revive para concessões turísticas em património público sem utilização, o responsável do grupo Pestana adianta haver “interesse por algumas das unidades que foram anunciadas, mas não foram ainda lançados os respetivos concursos, que aguardamos com expectativa”.

75 anos de história

As Pousadas de Portugal completaram 75 anos a 19 de abril, dia em que inaugurou em 1942 a primeira unidade em Elvas, por iniciativa de António Ferro, escritor e jornalista que se tornou uma figura proeminente no Estado Novo e na altura usou a sua influência para lançar um projeto semelhante aos Paradores espanhóis, dotando o país de alojamentos confortáveis, sem serem luxuosos, em monumentos públicos e que refletissem a essência da cultura popular portuguesa.

Atualmente, a rede integra 33 pousadas de norte a sul do país e nos Açores, totalizando 1237 quartos. O ano passado foi “o melhor de sempre” nos resultados das Pousadas de Portugal, cuja faturação aumentou 18% para €36 milhões, e os lucros antes de impostos e amortizações (EBITDA) atingiram €10 milhões. No primeiro trimestre de 2017, o crescimento de receitas vai em 16,8%. Os estrangeiros já asseguram 70% das dormidas nas pousadas, que foram mais de 206 mil em 2016, ano em que se destacou a subida de 25% do mercado norte-americano, com a ajuda das novas rotas da TAP.

Os turistas dos Estados Unidos e do Canadá já assumem um peso de 9% nos resultados globais das pousadas, tendo ultrapassado em 2016 os espanhóis, um dos mercados mais tradicionais desta rede até pela proximidade e cuja quota hoje é de 6%. “O cliente americano está a voltar a Portugal e tem sido muito importante nesta fase de recuperação de resultados das pousadas. Estamos a falar de turistas com poder de compra e que gostam de fazer turismo em locais com património”, salienta José Theotónio. “Se 2016 foi um grande ano, para 2017 as perspetivas também são boas. Realmente, está aí uma onda importante para o turismo em Portugal”.