Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Americanos já são mais que os espanhóis nas Pousadas de Portugal

O ano passado foi o melhor de sempre para as Pousadas de Portugal, como a de Estoi no Algarve

Foto Pedro Sampayo Ribeiro/ pOUSADAS

Com as novas rotas da TAP, o número de turistas dos Estados Unidos e do Canadá aumentou 25% em 2016 e já são um dos principais mercados das Pousadas de Portugal, que esta quarta-feira comemoram 75 anos

Os ventos estão de feição para as Pousadas de Portugal, que no ano passado atingiram os melhores resultados de sempre .“Foi um grande ano e em 2017 as perspetivas também são boas. Realmente está aí uma onda importante para o turismo em Portugal”, constata José Theotónio, CEO do grupo Pestana, que detém a concessão das Pousadas de Portugal.

A faturação das Pousadas de Portugal aumentou no ano passado 18% para €36 milhões, e no primeiro trimestre de 2017 a subida já vai em 16,8%. O mercado externo tem sido o principal impulsionador do crescimento da rede de Pousadas, onde o total de dormidas atingiu 206 mil em 2016.

Uma das Pousadas de “nova geração” é a da Serra da Estrela, que funciona no antigo sanatório dos ferroviários da Covilhã Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

Uma das Pousadas de “nova geração” é a da Serra da Estrela, que funciona no antigo sanatório dos ferroviários da Covilhã Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

Os turistas norte-americanos representam o mercado de maior crescimento nas Pousadas de Portugal, onde os hóspedes nos Estados Unidos dispararam 23% e os do Canadá 30% em 2016. Em conjunto, estes mercados aumentaram no ano passado 25% em dormidas e passaram a assumir um peso total de 9% nos resultados das Pousadas - ultrapassando assim os espanhóis, tradicionalmente um dos principais mercados nesta rede, e que hoje assumem uma quota de 6%.

“O cliente americano está a voltar, é um mercado que já foi muito importante para Portugal na década de 90 e foi deixando de ter expressão no país”, salienta José Theotónio. “Este regresso dos americanos está a ser muito ajudado pelas novas rotas da TAP para os Estados Unidos e o Canadá, e tem sido muito importante nesta fase de recuperação de resultados das Pousadas. Estamos a falar de turistas com poder de compra e que gostam de fazer turismo em locais com valor patrimonial”.

As Pousadas do Alentejo levaram uma profunda remodelação e a de Arraiolos passou a ter um spa

As Pousadas do Alentejo levaram uma profunda remodelação e a de Arraiolos passou a ter um spa

Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

Segundo o presidente executivo do grupo Pestana, outro mercado que destaca pelo crescimento “são os brasileiros, que também apreciam a monumentalidade das Pousadas e vêm muito no inverno, tornando-se importantes para equilibrar os resultados nos períodos mais afetados pelos picos de sazonalidade”.

Os franceses representam outro mercado em crescimento nas Pousadas, onde o principais clientes continuam a ser os ingleses, assumindo uma quota de 13% no total de dormidas, seguidos de alemães, com um peso de 8%. Relativamente aos impactos do Brexit, o CEO do grupo Pestana adianta não se sentirem ainda em 2017, uma vez que as reservas dos britânicos continuam em alta.

Após os anos da 'troika', o mercado português está em recuperação nas Pousadas (na foto a de Caniçada no Gerês)

Após os anos da 'troika', o mercado português está em recuperação nas Pousadas (na foto a de Caniçada no Gerês)

Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

“Em termos gerais, o Brexit poderá trazer alguma turbulência, que a médio prazo tenderá a estabilizar. O maior impacto virá da evolução do câmbio da libra face ao euro, mas também já aconteceu uma grande desvalorização da libra com o Reino Unido dentro da União Europeia”, nota José Theotónio. “Não é pelo Brexit que o inglês vai deixar de viajar, de fazer férias ou de jogar golfe no sul da Europa. O nosso maior mercado não vai parar”.

Também o mercado interno “tem tido alguma recuperação depois dos anos difíceis da troika”, avança José Theotónio. Durante anos os portugueses foram o principal mercado das Pousadas, com um peso de mais de 60%, mas hoje são os estrangeiros que dominam, com uma quota da ordem dos 70%.

A Pousada de Guimarães funciona num mosteiro que remonta ao período da reconquista cristã

A Pousada de Guimarães funciona num mosteiro que remonta ao período da reconquista cristã

Foto Pedro Sampayo Ribeiro/Pousadas

As Pousadas de Portugal comemoram esta quarta-feira 75 anos, já que foi a 19 de abril de 1942 que inaugurou a primeira Pousada em Elvas, por iniciativa de António Ferro - escritor e jornalista que teve um papel proeminente no período do Estado Novo. O objetivo que levou à criação das Pousadas de Portugal era então dotar o país de alojamentos que fossem confortáveis, sem serem luxuosos, e que sobretudo refletissem a cultura popular do local onde se inseriam.

Inicialmente instaladas em monumentos públicos restaurados, as Pousadas passaram por diversas fases ao longo dos seus 75 anos. Em 1974 foi criada a empresa pública Enatur, com a missão de assumir a exploração das Pousadas, na altura os alojamentos turísticos mais relevantes no país. Em 2003 o grupo Pestana foi vencedor do concurso público para gestão das Pousadas de Portugal, mantendo-se desde então concessionário.

Atualmente a rede integra 33 Pousadas de norte a sul do país, além dos Açores, totalizando 1.237 quartos, e faz parte da Small Luxury Hotels of the World.

“As Pousadas têm feito um percurso muito importante nos últimos anos, e hoje são uma das marcas onde o grupo Pestana está a apostar”, frisa José Theotónio.