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G20. Amplo consenso de que a globalização tem de ser mais justa

Os ministros das Finanças e os banqueiros centrais das 20 maiores economias do mundo reafirmaram esta sexta-feira a importância do comércio internacional, mas concordaram que a redução da desigualdade e um crescimento “inclusivo” são fundamentais

Jorge Nascimento Rodrigues

“A globalização tem de ser mais justa”, disse Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, na conferência de imprensa de conclusão da reunião do G20 esta sexta-feira em Washington. Foi um ponto de convergência na reunião dos ministros das Finanças e banqueiros centrais das 20 maiores economias do mundo à margem da assembleia semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington que decorre até domingo. Maior justiça significa, neste caso, um "crescimento mais inclusivo" e lidar com as questões da desigualdade crescente, dois tópicos centrais da reunião do FMI.

Obteve-se, também, um “amplo consenso” em que o comércio internacional é o melhor motor para o crescimento global e também para as economias nacionais, sublinhou Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, na conferência de imprensa. A Alemanha detém, este ano, a presidência do G20.

No entanto, foi usada outra expressão na conferência de imprensa que deixou muitos analistas de pé atrás: “Quase toda a gente sublinhou a importância do comércio livre, de que é preciso mais mercado aberto e não mais barreiras”. O “quase” provocou várias perguntas sobre a apreciação do G20 sobre a política da Administração norte-americana.

A conferência decorreu já depois de ser conhecido um decreto presidencial e dois memorandos do presidente Trump ordenando esta sexta-feira ao seu Departamento do Tesouro uma revisão das medidas de regulação financeira tomadas durante a Administração Obama. Os dois alemães sublinharam que o secretário do Tesouro Steven Mnuchin assegurou aos outros membros do G20 que a Administração Trump ainda não adotou decisões concretas.

Por isso, Schäuble e Weidmann responderam que o G20 “julga na base de factos e não especula” e que a sua missão “não é complicar, mas manter o otimismo que as 20 economias trabalharão em conjunto”.

Schäuble recusou-se, também, a especificar quais são concretamente os riscos geopolíticos que o G20 tem em mente quando se refere a eles. O ministro alemão gracejou que podia apontar “uma vintena deles verdadeiramente sérios”, mas que o mandato dos ministros e dos banqueiros centrais não é entrar nessas especificações, que são do foro das cimeiras dos chefes de Estado e de governo.

O G20 reúne a sua cimeira de líderes a 7 e 8 de julho em Hamburgo, na Alemanha, e regressa a Washington para novo encontro de ministros das Finanças e banqueiros centrais em outubro à margem da nova assembleia do FMI.

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