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Lagarde: “A primavera está no ar. Crescimento está menos medíocre”

Chip Somodevilla/GETTY

O crescimento da economia mundial passou de medíocre para menos medíocre, pois tem havido boas notícias, mas o FMI aponta cinco prioridades para que a aceleração não se perda, resumiu a diretora-geral na conferência de imprensa desta quinta-feira

Jorge Nascimento Rodrigues

“A primavera está no ar também na economia mundial”, afirmou, sem disfarçar inegável satisfação, Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), na conferência de imprensa desta quinta-feira em Washington, onde decorre a assembleia semestral da organização e do Banco Mundial. “Há boas notícias”, sublinhou.

O crescimento mundial vai acelerar de 3,1% no ano passado para 3,5% este ano e 3,6% no próximo, depois de uma revisão em alta para 2017. Até 2022, o crescimento deverá aumentar para 3,8%. O facto de não haver uma única grande economia do mundo em recessão é uma delas, adiantou, notando que o Brasil e a Rússia saem de recessão este ano, segundo as previsões do World Economic Outlook.

As quatro a cinco décimas na aceleração do crescimento do PIB mundial levaram Lagarde a fazer esta quinta-feira uma alteração na sua famosa classificação do crescimento como medíocre. Em resposta à primeira pergunta da conferência de imprensa, colocada pela televisão chinesa, a francesa explicou que, agora, decidiu substituir o medíocre por “menos medíocre”. “O crescimento está a melhorar, como as previsões apontam, mas o crescimento potencial continua a precisar de mais, nomeadamente um enfoque na questão da produtividade”, acrescentou.

Cinco prioridades

Mas Lagarde não abandonou o termo medíocre. Apesar do otimismo moderado que o FMI adotou na primeira assembleia deste ano, é preciso garantir que o cenário base não é perturbado.

Há muita incerteza, referiu Lagarde, para adiantar, de seguida, que a política económica mundial tem de ter cinco prioridades: manter o momento favorável com uma ação conjugada das políticas orçamental, monetária e de reformas – os três pilares como lhe chama; revigorar a produtividade, um dos problemas estruturais que, este ano, o FMI colocou em destaque; garantir que o crescimento é inclusivo, mitigando os impactos negativos que se têm observado, colocando a discussão da desigualdade no primeiro plano; reforçar a cooperação multilateral, evitando decisões unilaterais que provoquem “ferimentos auto infligidos”; e fomentar ainda mais o comércio internacional, evitando tudo o que possa “perturbar o seu crescimento”.

O unilateralismo e o protecionismo da retórica de Donald Trump e o populismo crescente na Europa têm estado nas preocupações do FMI como riscos que podem infligir dano à tal primavera económica. Mas Christine Lagarde colocou alguma água na fervura em relação à nova Administração norte-americana: “Dos contactos que tenho tido, há todas as razões para acreditar que vamos cooperar em conjunto para melhorar o sistema de comércio mundial”.

Dos problemas na Europa, a diretora-geral do Fundo referiu-se a dois em particular: Alemanha e Grécia.

É desejável que o excedente externo alemão desça

Em relação à Alemanha, ainda recentemente criticada pelo Departamento do Tesouro norte-americano como continuando a registar excedentes externos excessivos – o mais elevado do mundo em termos absolutos e um dos maiores em percentagem do PIB, devendo fechar este ano em 8,5% do PIB -, Lagarde repetiu o que disse na semana passada: “Uma parte desse excedente externo é justificável, mas não todo o excedente. É desejável a sua diminuição”.

Sobre a Grécia, voltou a reafirmar que o FMI coloca duas condições para entrar no terceiro resgate. Lagarde chama-lhes “duas pernas”: consolidação de reformas por parte do governo de Atenas e garantia da sustentabilidade da dívida helénica. Lagarde considerou que, no plano das reformas, tem havido progressos em pontos importantes, como as pensões e o sistema de impostos. Quanto ao alívio da dívida grega, adiantou que têm de se discutir objetivos que não sejam excessivos para o excedente orçamental primário helénico e assentar nos detalhes da reestruturação da dívida.