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FMI não acredita nos planos do Governo para redução do défice

Relatório de Vítor Gaspar aponta para agravamentos sucessivos do défice a partir de 2018, contrariamente ao que diz o Governo

Alberto Frias

Previsões divulgadas esta quarta-feira pela equipa de Vítor Gaspar apontam para um valor de 1,9% do PIB este ano. Porém, a partir de 2018 será sempre a subir até 2,6%. Números diferentes dos apresentados no Programa de Estabilidade na semana passada

O Fundo Monetário Internacional (FMI) não acredita nos planos do Governo para reduzir o défice durante os próximos anos. Nas previsões do relatório Fiscal Monitor divulgadas esta quarta-feira em Washington, onde decorrem as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, espera uma redução do défice para 1,9% do PIB este ano mas, a partir daqui, aponta para agravamentos sucessivos. O relatório foi produzido pelo departamento de Assuntos Orçamentais do FMI que é liderado pelo ex-ministro das Finanças português Vítor Gaspar.

Para os próximos dois anos, o Fundo estima défices de 2,2% do PIB e o valor vai subindo até 2,6% em 2022. Uma trajetória completamente diferente da traçada pelo Governo no Programa de Estabilidade que entregou no Parlamento na semana passada. No PE, o Governo espera chegar a 2021 com um excedente de 1,3% do PIB e começar a apresentar saldos positivos a partir de 2020.

Esta diferença entre as projeções do FMI e do Governo corresponde a cerca de oito mil milhões de euros em 2021. Uma distância que tem a ver, não apenas com eventuais medidas orçamentais que o Executivo considerou no Programa de Estabilidade e que não foram incluídas na análise do FMI, mas também com as diferenças de crescimento previsto. Embora o Fundo tenha revisto em alta, esta terça-feira, a projeção de crescimento do PIB para 1,7% este ano – próxima dos 1,8% que o governo colocou no Programa de Estabilidade – espera um abrandamento a partir de 2018 enquanto o Governo conta com uma aceleração.