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FMI diz que banca portuguesa e italiana são o elo mais fraco da zona euro

Há muito que António Costa e Mário Centeno tentam encontrar uma solução para o excessivo crédito malparado

Luís Barra

Crédito malparado, dimensão excessiva, exposição à dívida pública e necessidade de alterar os modelos de negócio são os problemas apontados por relatório do FMI divulgado esta quarta-feira. Malparado em Portugal está acima de 12%. Alerta acontece um dia depois de o fundo ter revisto em alta o crescimento da economia portuguesa

Jorge Nascimento Rodrigues

Os sectores bancários italiano e português são os mais frágeis da zona euro. O alerta vem do Global Financial Stability Report (GFSR) do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado esta quarta-feira em Washington. A banca portuguesa enfrenta quatro desafios decisivos que a colocam em destaque, pela negativa, na zona euro. O problema da rentabilidade do sector bancário português é sublinhado no relatório do FMI. Desde 2011, a rentabilidade apenas foi positiva em 2015.

Os técnicos do Fundo recomendam quatro ajustamentos fundamentais para Portugal: resolução do crédito malparado; redução dos custos operacionais; imposição de critérios comerciais nas decisões de concessão de crédito; e adequação dos modelos de negócio do sector financeiro às novas realidades demográficas e macroeconómicas.

A banca portuguesa sofre de sobredimensionamento. É o sector na zona euro com os rácios mais baixos de ativos por dependência e por pessoal em doze países analisados pelo GFSR. A situação é pior do que em Itália, Espanha e Áustria. O relatório do FMI considera, à escala europeia, o problema da dimensão excessiva do sector como o “principal problema estrutural”.

Esforço para reduzir malparado foi fraco

A banca portuguesa não é a pior em crédito malparado na zona euro, mas o esforço que fez para reduzir esse problema foi muito fraco, se comparado com o que realizou a Irlanda, que regista o segundo rácio mais elevado de crédito malparado, depois da Grécia.

O crédito malparado na banca portuguesa disparou de 3,6% do total do crédito em 2008 para 12,6% no terceiro trimestre de 2016. Quase quadruplicou, o que compara negativamente com a Itália, que subiu de 6,3% para 12,2% naquele mesmo período.

No caso português, a redução desde o pico nestes últimos oito anos foi, apenas, de 0,2 pontos percentuais. A Irlanda fez uma correção de 11 pontos percentuais e a Espanha de quase quatro pontos percentuais desde o pico. A Itália foi a que corrigiu menos em relação ao pico do rácio, apenas uma décima.

Recorde-se que o governo português está a estudar uma solução para o problema que, ainda, não é conhecida.

O FMI anunciou que vai proceder a uma avaliação do sector financeiro da zona euro ainda este ano.

O terceiro problema tem a ver com o regresso da ‘ligação perigosa’ entre a banca doméstica e a dívida soberana, refere o FMI. Com exceção da Grécia, a situação portuguesa é a pior nos periféricos do euro. O custo dos credit default swaps (derivados financeiros contra o risco de incumprimento) para a banca portuguesa a cinco anos é quase o dobro do prémio de risco da dívida portuguesa para o mesmo prazo. Nos casos de Espanha, França e Itália é ligeiramente superior.

Finalmente, aplica-se ao sistema financeiro português a recomendação global para adaptar os modelos de negócio do sector ao novo contexto de crescimento fraco, taxas de juro do Banco Central Europeu historicamente baixas, envelhecimento das populações e estagnação da produtividade.